Saúde

Pesquisa revela impacto da gravidez na autonomia e oportunidades de meninas: confira os dados!

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2026

A gravidez na infância ou na adolescência está relacionada à redução de oportunidades educacionais, profissionais e sociais, segundo pesquisa da organização não governamental Plan Brasil. O estudo, que entrevistou mais de 1,5 mil mulheres entre 19 e 29 anos em todas as regiões do país, comparou a realidade de quem engravidou antes da vida adulta com a de jovens que não passaram por essa experiência.

Entre as participantes que tiveram uma gestação na infância ou adolescência, 61% relataram ter interrompido os estudos. No grupo que não engravidou nesse período da vida, o índice foi de 33%.

De acordo com a CEO da Plan Brasil, Cynthia Betti, a gravidez precoce representa um marco que intensifica desigualdades já existentes. Segundo ela, as dificuldades se refletem na educação, na saúde, no mercado de trabalho e no acesso a direitos fundamentais.

O levantamento também mostrou que 83% das entrevistadas afirmaram ter deixado um emprego ou perdido uma oportunidade profissional devido à necessidade de cuidar dos filhos.

Os dados indicam ainda que as mulheres que engravidaram na infância ou adolescência acumulam desvantagens maiores ao longo da vida, mesmo quando comparadas a jovens com contextos semelhantes.

Outro resultado destacado é que 73% disseram ter sofrido discriminação por causa da gravidez, em ambientes como a família, a escola e os serviços de saúde. Os relatos apontam episódios de preconceito relacionados à capacidade intelectual, moral e profissional dessas jovens.

Casamento após a gestação

A pesquisa revela que 59% das jovens que engravidaram antes dos 19 anos passaram a viver em casamento ou união logo após a primeira gestação.

O estudo também identificou aumento de 19 pontos percentuais na probabilidade de casamento antes dos 16 anos entre esse grupo.

Entre as entrevistadas que engravidaram antes dos 14 anos, metade afirmou não ter tido acesso à possibilidade de interrupção legal da gestação nos serviços de saúde. Pela legislação brasileira, toda gravidez envolvendo menores de 14 anos é considerada resultado de estupro de vulnerável.

Para Cynthia Betti, os impactos vão além da perda de oportunidades acadêmicas e profissionais, comprometendo também a autonomia e a capacidade de decisão dessas jovens em um momento decisivo da vida.

Recomendações do estudo

Entre as medidas sugeridas pela pesquisa estão a ampliação da educação sexual baseada em direitos, a facilitação do acesso a métodos contraceptivos e a universalização de creches com horários compatíveis com estudo e trabalho.

O levantamento também defende ações para combater a violência obstétrica e a coerção contraceptiva, além da criação de políticas de incentivo ao primeiro emprego voltadas especificamente para jovens mães.

Fonte: cenariomt

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