Um relatório recente divulgado pela organização não governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF) destaca que o combate à desinformação e o investimento em educação midiática serão fundamentais para garantir a integridade do jornalismo nos próximos dez anos.
O documento, apresentado no contexto do Dia do Jornalista, propõe quatro cenários possíveis para o futuro da profissão no Brasil, além de sugerir seis estratégias consideradas essenciais para assegurar um jornalismo confiável.
Entre os cenários analisados estão: o domínio das plataformas digitais, o fortalecimento do jornalismo profissional, a fragmentação da informação e, em um cenário mais crítico, o enfraquecimento da atividade jornalística. Especialistas apontam que o futuro deve combinar elementos desses diferentes contextos.
As estratégias indicadas incluem:
- ampliar a adoção do método jornalístico;
- combater a desinformação;
- fortalecer a cooperação entre veículos e universidades;
- diversificar as fontes de financiamento;
- investir em educação midiática;
- defender a regulação do setor.
O relatório também alerta para desafios atuais, como a dificuldade em diferenciar notícia, opinião e propaganda em um ambiente digital marcado pela polarização. Algoritmos das redes sociais influenciam diretamente o consumo de informação, reforçando crenças e dificultando o acesso a conteúdos verificados.
Outro ponto de atenção é a crescente dependência das plataformas digitais. Segundo especialistas, o jornalismo passou a operar sob regras definidas por grandes empresas de tecnologia, o que contribui para sua desvalorização ao colocá-lo em igualdade com conteúdos não verificados.
O avanço da inteligência artificial também é citado como um fator que pode impactar a profissão, com potencial para substituir atividades tradicionais de apuração e redação.
Além disso, o documento aponta riscos estruturais, como a concentração de mídia, o baixo nível de letramento midiático da população e a precarização das redações. Também são mencionadas ameaças como censura, perseguição a jornalistas e a substituição de profissionais por influenciadores digitais.
Para enfrentar esses desafios, o relatório defende maior atuação do Estado na regulação das plataformas e no incentivo à produção jornalística, especialmente em regiões sem cobertura de mídia. A aproximação com universidades também é vista como essencial para modernizar a formação dos profissionais e ampliar a educação midiática.
Entre as propostas, está ainda a criação de mecanismos de certificação que atestem a qualidade e a confiabilidade das informações publicadas, reforçando a transparência e a credibilidade do jornalismo.
O relatório conclui que o fortalecimento do jornalismo não é apenas uma demanda da categoria, mas uma necessidade para garantir o direito da população ao acesso à informação livre, plural e confiável.
Fonte: cenariomt





