A defesa do delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da PolĂcia Civil do Rio de Janeiro, vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro Flávio Dino se declare impedido de julgar a denĂşncia da Procuradoria-Geral da RepĂşblica (PGR) contra Rivaldo. Ele Ă© suspeito de ser um dos mentores do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ).
Na próxima semana, a defesa de Rivaldo Barbosa apresentará ao STF uma peça de defesa para pedir a rejeição da denúncia. O documento também abordará a suspeição de Dino.
“O regimento interno do STF prevê que o ministro pode se autodeclarar suspeito para o caso”, disse ao portal R7 o advogado Marcelo Ferreira. “A gente espera que faça isso. Ele não teria competência para decidir algo que mandou investigar. Se fosse só um ministro da Justiça que virou ministro do STF, não tem problema nenhum. Mas ele foi o ministro da Justiça que deu o pontapé inicial à investigação.”
A defesa de Rivaldo Barbosa alega que Flávio Dino influenciou a investigação enquanto era ministro da Justiça e Segurança PĂşblica. Em fevereiro do ano passado, ele ordenou Ă PolĂcia Federal que iniciasse um inquĂ©rito sobre o caso.
“A fim de ampliar a colaboração federal com as investigações sobre a organização criminosa que perpetrou os homicĂdios de Marielle e Anderson Gomes, determinei a instauração de inquĂ©rito na PolĂcia Federal”, afirmou Dino, na Ă©poca. “Estamos fazendo o máximo para ajudar a esclarecer tais crimes.”
A denúncia da PGR contra Rivaldo Barbosa ainda não foi analisada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso Marielle Franco no STF. A decisão de Moraes precisará ser votada pela Primeira Turma do Supremo, formada por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux.
Na segunda-feira 3, Rivaldo Barbosa vai prestar depoimento Ă PolĂcia Federal (PF) sobre o caso. “O relatĂłrio da PolĂcia Federal coloca o Rivaldo como mentor intelectual do assassinato, a pessoa que preparou meticulosamente o assassinato da Marielle com Chiquinho e Domingos BrazĂŁo”, sustentou o advogado Felipe Dalleprane. “Mas nĂŁo existe nos autos do inquĂ©rito nenhuma prova de relação, de vĂnculo, de trato, de diálogo, de encontro entre Rivaldo e os irmĂŁos BrazĂŁo, nĂŁo existe isso no processo.”
A defesa tambĂ©m solicitará que a Justiça ouça testemunhas que possam ajudar a desconstruir a tese da PolĂcia Federal. Entre as testemunhas estĂŁo duas promotoras que, segundo as investigações, abandonaram o caso Marielle por interferĂŞncia externa; o delegado Giniton Lages, indicado por Rivaldo; e o ex-secretário de segurança Richard Nunes, atual chefe do Estado-Maior do ExĂ©rcito.
A denĂşncia da PGR contra os envolvidos na morte de Marielle foi apresentada ao STF no inĂcio de maio. O vice-procurador-geral da RepĂşblica, Hindenburgo Chateaubriand, afirmou que o delegado “detinha o controle dos meios necessários para garantir a impunidade do crime” e que foi ele “quem orientou a todos a nĂŁo executarem o crime em trajeto que partisse ou seguisse para a Câmara Municipal, para dissimular a motivação polĂtica do crime”.
Segundo o vice-procurador, Rivaldo “concorreu para as infrações, empregando a autoridade do cargo de chefia que entĂŁo ocupava na estrutura da PolĂcia Civil do Estado do Rio de Janeiro, para oferecer a garantia necessária aos autores intelectuais do crime de que todos permaneceriam impunes”.
De acordo com a PGR, os mandantes do crime informaram o plano a Rivaldo Barbosa, com quem, segundo a denúncia, “acertaram o apoio para que fosse, caso necessário, dificultada a futura investigação”.
“Rivaldo, beneficiário de quantias mensais fixas pagas por milicianos e contraventores no municĂpio do Rio de Janeiro, encorajou a decisĂŁo, prestando, inclusive, auxĂlio intelectual aos criminosos, ao orientá-los a nĂŁo executar Marielle Franco durante nenhum trajeto que tivesse a Câmara Municipal como ponto de origem ou de destino”, considerou a PGR.
A procuradoria denunciou Rivaldo Barbosa pelos crimes de homicĂdio triplamente qualificado, praticado em concurso de pessoas contra Marielle; homicĂdio quadruplamente qualificado, praticado em concurso de pessoas contra Anderson Gomes; e tentativa de homicĂdio quadruplamente qualificado, praticado em concurso de pessoas contra a assessora de Marielle, Fernanda Gonçalves Chaves.
Fonte: revistaoeste





