Enquanto Mato Grosso projeta recordes, o município de Marcelândia vive um cenário dramático na safra de soja 2025/26. Com cerca de 35% da área ainda no campo, o excesso de umidade — que já ultrapassou a média histórica e pode chegar a 3.000 mm até o fim do período chuvoso — transformou as lavouras em atoleiros e comprometeu a qualidade do grão.
As perdas já são estimadas em pelo menos 10% da produção total. O solo saturado impede o avanço das máquinas e, quando a colheita ocorre, os grãos saem com até 30% de umidade, o dobro do ideal, gerando descontos pesados na comercialização.
Destaques da crise local:
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Grãos Avariados: Em algumas propriedades, o índice de avaria chega a 32%. A soja, sendo perecível, apodrece rapidamente dentro dos caminhões parados.
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Atraso no Milho: O excesso de chuva também inviabilizou a janela de plantio da segunda safra de milho para muitos agricultores.
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Isolamento Logístico: Trechos da MT-320 apresentam sérios problemas, deixando produtores “ilhados”. Filas de caminhões chegam a durar três dias, causando perda de peso e qualidade da carga.
O presidente do Sindicato Rural de Marcelândia, Marcelo Cordeiro, alerta que muitos produtores já perderam o lucro da temporada e agora lutam para honrar compromissos financeiros, apelando por apoio do poder público e das frentes parlamentares.
Mato Grosso caminha para a maior safra de soja da história em 2026
Apesar dos gargalos logísticos no norte, Estado deve alcançar 51,4 milhões de toneladas, consolidando novo recorde produtivo.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) atualizou suas projeções e confirmou que Mato Grosso deve colher 51,41 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26. O volume é 1,02% superior à temporada passada e marca o maior índice da série histórica.
Mesmo com os problemas pontuais de umidade excessiva em regiões do extremo norte, o saldo geral do Estado é positivo, impulsionado por um regime de chuvas que favoreceu o enchimento de grãos na maioria das regiões.
Números da Safra Recorde:
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Produtividade Média: Estimada em 65,87 sacas por hectare.
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Área Plantada: 13,01 milhões de hectares.
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Avanço da Colheita: Já ultrapassa 78% da área total prevista.
O Custo da Abundância: Frete em Alta
O recorde de produção trouxe consigo o desafio do escoamento. A alta demanda por transporte e as dificuldades nas estradas elevaram os custos logísticos:
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Corredor Norte: O frete no trecho Sorriso (MT) a Miritituba (PA) subiu para R$ 345 por tonelada.
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Congestionamentos: Relatos de filas de até 30 km e espera de três dias para descarregamento nos portos do Arco Norte evidenciam o colapso do sistema logístico frente ao volume histórico de grãos.
Fonte: cenariomt






