As importações brasileiras de cebola cresceram em março e já acendem um alerta para mudanças no mercado nas próximas semanas. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o Brasil importou pouco mais de 23 mil toneladas do produto no período, volume 22,5% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.
Apesar da alta, o volume ainda é considerado baixo. No entanto, a expectativa é de avanço nas importações a partir de abril, justamente quando a oferta nacional começa a perder força e a qualidade dos produtos diminui, cenário típico de transição de safra.
Atualmente, o abastecimento externo é liderado por dois países: a Argentina, responsável por cerca de 73% das importações, e o Chile, com participação de 27%. Mas esse cenário pode mudar rapidamente.
Chuvas derrubam produção argentina e abrem oportunidade
De acordo com pesquisadores do Hortifrúti/Cepea, fortes chuvas atingiram regiões produtoras da Argentina, principal origem da cebola importada pelo Brasil. Os alagamentos comprometeram tanto o volume quanto a qualidade das colheitas destinadas à exportação.
Esse fator climático pode reduzir a presença argentina no mercado brasileiro no curto prazo, abrindo espaço para uma reconfiguração nas origens do produto.
Com isso, o Chile desponta como principal beneficiado. O país já vinha ampliando sua participação nas exportações para o Brasil nos últimos anos e agora pode ganhar ainda mais força diante da quebra na produção do concorrente.
O cenário indica uma mudança estratégica no abastecimento, com impacto direto nos preços e na disponibilidade da cebola no mercado interno. Para os próximos meses, o comportamento do clima e da oferta externa deve ser decisivo para definir os rumos do setor.
Fonte: cenariomt





