O trabalho de resgate e recuperação de animais silvestres tem sido intenso neste início de ano em Lucas do Rio Verde. O Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), administrado pela ONG Amibem – Ame o Bem Semeando o Amor, tem registrado aumento no número de atendimentos, principalmente neste período de chuvas, quando cresce a incidência de filhotes órfãos e de animais que acabam entrando na área urbana em busca de alimento.
Segundo a presidente da Amibem e coordenadora do CETAS, Rosi Espíndola, a demanda nesta época do ano costuma aumentar significativamente.
“Essa é a época dos filhotes, então muitos acabam ficando órfãos ou tendo problemas com os ninhos. Com isso, vários animais entram na cidade em busca de alimento e precisam ser resgatados e tratados”, explicou.
Grande parte dos resgates é realizada pelo Corpo de Bombeiros de Lucas do Rio Verde, parceiro do CETAS no atendimento às ocorrências envolvendo animais silvestres. Após o resgate, os animais são encaminhados ao centro, onde passam por avaliação veterinária.
De acordo com Rosi, casos mais simples são tratados no próprio local. Já situações mais graves, que exigem procedimentos cirúrgicos, são encaminhadas para uma clínica veterinária em Sorriso, que mantém convênio com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
O tempo de recuperação dos animais varia conforme a espécie e a gravidade do caso. Filhotes, por exemplo, podem permanecer em cuidados por um período que vai de um a três anos até que estejam aptos a retornar ao habitat natural. Já animais adultos que sofreram acidentes geralmente têm recuperação mais rápida e podem ser devolvidos à natureza em menos tempo.
Além do trabalho de resgate e reabilitação, o CETAS também atua na conscientização da população sobre a preservação da fauna silvestre. A coordenadora destacou a importância de atenção redobrada nas rodovias que cortam regiões de mata, principalmente durante a noite, período em que muitos animais se movimentam.
Recentemente, casos de atropelamento de onças-pintadas foram registrados na região norte de Mato Grosso, o que reforça o alerta para que motoristas redobrem os cuidados ao trafegar em áreas próximas à vegetação nativa.
Rosi também destacou a necessidade de investimentos em passagens de fauna nas rodovias, estruturas que permitem a travessia segura dos animais entre áreas de mata, evitando atropelamentos e contribuindo para a preservação das espécies.
Quando um animal silvestre é encontrado em quintais, ruas ou áreas urbanas, a orientação é que a população não tente capturá-lo.
“Nesse caso, o ideal é acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Eles fazem o resgate com segurança e encaminham o animal até o CETAS para avaliação”, orientou.
O centro também desempenha um importante papel educativo. Em parceria com a Faculdade La Salle, estudantes de medicina veterinária e de outros cursos participam de atividades de extensão e visitas técnicas para conhecer de perto o trabalho desenvolvido no local.
Além disso, a ONG Amibem está construindo um espaço voltado à educação ambiental, que permitirá receber alunos de escolas para atividades educativas sobre preservação da fauna e do meio ambiente. A coordenadora ressalta, no entanto, que o CETAS não é um zoológico e, por isso, não possui visitação pública.
Para Rosi Espíndola, o respeito aos animais e à natureza é fundamental para garantir o equilíbrio ambiental.
“Os animais também têm sentimentos, criam laços e fazem parte do nosso planeta. O mundo não foi feito apenas para o ser humano. Precisamos aprender a conviver de forma respeitosa e sustentável, preservando as florestas, os rios e a fauna”, destacou.
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Fonte: cenariomt










