O primeiro censo de primatas conduzido em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, registrou a presença de seis espécies diferentes em fragmentos florestais locais. O levantamento foi executado ao longo deste ano pelo Projeto Reconecta, em uma atuação conjunta com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV).
As equipes de pesquisa percorreram áreas estratégicas como a Reserva Surucuá, a Fazenda Anacã, o Parque Zoobotânico e o Retiro dos Padres, identificando populações de bugio-vermelho, macaco-da-noite, macaco-aranha-da-cara-preta, mico-de-Schneider, macaco-prego e o zogue-zogue-de-Alta-Floresta.
Espécies Ameaçadas e Uso de Tecnologia
O dado mais alarmante da pesquisa diz respeito ao status de conservação da fauna local: quatro das seis espécies identificadas constam na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN):
- Alto Risco de Extinção: O zogue-zogue-de-Alta-Floresta — considerado símbolo do município — figura na categoria Criticamente em Perigo, ao lado do bugio-vermelho, do macaco-aranha-da-cara-preta e do mico-de-Schneider.
- Inovação em Campo: Para superar barreiras de visibilidade e densidade vegetal, o censo incorporou o uso de drones equipados com câmeras térmicas, tecnologia que facilitou a localização de animais de hábitos esquivos ou noturnos por meio da detecção de calor corporal.
Segundo o biólogo Luan Goebel e a coordenadora do Projeto Reconecta, Fernanda Abra, o monitoramento contínuo é vital para mitigar riscos como atropelamentos nas rodovias da região. Iniciativas locais como o programa “Alta Floresta Não Atropela” já instalaram pontes de dossel que somam cerca de 15 mil travessias seguras de animais, preservando a biodiversidade nos remanescentes florestais norte-mato-grossenses.
Fonte: cenariomt





