O Brasil produziu mais de 300 milhões de litros de vinho em 2025, mas o mercado nacional ainda mantém uma forte dependência dos produtos estrangeiros. Dados do primeiro Anuário do Vinho 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que o país importou 165,66 milhões de litros da bebida no ano passado, enquanto as exportações somaram 7,35 milhões de litros.
O levantamento reúne informações sobre a cadeia produtiva do vinho brasileiro e apresenta um retrato do setor a partir de dados de estabelecimentos e produtos registrados, produção, empregos e comércio exterior.
A diferença entre importações e exportações chama atenção: o volume de vinho comprado do exterior foi cerca de 22,5 vezes maior que o exportado pelo Brasil em 2025.
Quase mil vinícolas registradas
Segundo o anuário, o Brasil encerrou 2025 com 965 vinícolas registradas no Mapa, distribuídas por 327 municípios.
A produção permanece fortemente concentrada na Região Sul. O Rio Grande do Sul lidera com 600 estabelecimentos, o equivalente a mais de 60% das vinícolas registradas no país.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 102 estabelecimentos, e São Paulo, com 86.
A concentração também se repete quando são considerados os registros dos produtos.
Mais de 16 mil vinhos registrados
Dados do Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro) indicam que havia 16.258 vinhos registrados no Brasil em 2025.
Mais uma vez, o Rio Grande do Sul aparece com ampla vantagem, reunindo 10.855 registros. Santa Catarina contabilizava 1.898, enquanto São Paulo aparecia com 1.413.
Os números ajudam a dimensionar uma cadeia que envolve desde a produção das uvas e elaboração dos vinhos até a industrialização, comercialização e circulação da bebida no mercado nacional e internacional.
Setor gera milhares de empregos
Além da produção e do comércio exterior, o anuário apresenta dados relacionados ao mercado de trabalho. Em 2025, a atividade vitivinícola registrou 7.361 empregos diretos.
O levantamento passa a oferecer uma base organizada de informações para produtores, pesquisadores, instituições públicas e empresas interessadas no desenvolvimento do setor.
A publicação também permite acompanhar a distribuição da atividade pelo território brasileiro e a participação do país no mercado internacional de vinhos.
Primeiro anuário específico do setor
O Anuário do Vinho 2026 é a primeira publicação do Mapa dedicada especificamente à cadeia produtiva da bebida.
A iniciativa amplia o conjunto de levantamentos produzidos pelo Ministério sobre o setor de bebidas no país, que já contempla segmentos como cerveja, cachaça e bebidas não alcoólicas.
Mais do que reunir números, o documento cria uma referência para acompanhar a evolução de um mercado que combina produção agrícola, indústria, geração de empregos e comércio exterior — e que ainda tem espaço para ampliar a presença do vinho brasileiro dentro e fora do país.
Fonte: cenariomt





