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Calcário nanoestruturado da Embrapa: como reduzir perdas e aumentar a produtividade agrícola

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2026

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu um novo tipo de calcário capaz de reduzir perdas durante o armazenamento, transporte e aplicação no campo. O insumo foi projetado para corrigir a acidez do solo e, ao mesmo tempo, contribuir para o aumento da produtividade das lavouras.

Desenvolvido pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, o produto utiliza técnicas de moagem de alta energia e aglutinação de partículas. O processo resulta em um material nanoestruturado com maior resistência mecânica e uniformidade.

Uma das principais mudanças é a transformação do calcário em grânulos. Diferentemente da versão em pó, que pode ser dispersada pelo vento durante a aplicação, o novo formato facilita o manejo e reduz desperdícios. Além disso, o produto apresenta maior resistência à umidade, fator que costuma comprometer a qualidade do calcário convencional.

A umidade pode provocar o empedramento do calcário tradicional, tornando-o inadequado para uso em equipamentos agrícolas e gerando prejuízos aos produtores.

Segundo a Embrapa, a nova formulação também amplia as funções do insumo. Além de corrigir a acidez do solo, o produto pode atuar como fertilizante misto, incorporando nutrientes essenciais para diferentes culturas, como algodão, café, cana-de-açúcar, milho, soja e pastagens.

De acordo com o pesquisador Luciano Paulino da Silva, da área de nanobiotecnologia da Embrapa, foram desenvolvidos diferentes protótipos para atender às necessidades nutricionais específicas de cada cultura. A composição pode incluir elementos como nitrogênio, fosfato, potássio, boro, cobre e zinco, em proporções adequadas para cada tipo de cultivo.

A expectativa dos pesquisadores é que o produto contribua para o fortalecimento das plantas e para ganhos de produtividade. A combinação entre correção da acidez e fornecimento de nutrientes pode favorecer o desenvolvimento das culturas e melhorar seu desempenho no campo.

Os estudos também apontam a possibilidade de redução do uso de agrotóxicos no futuro. Embora ainda sejam necessários novos testes com diferentes pragas, os pesquisadores avaliam que plantas mais bem nutridas tendem a apresentar maior resistência a fatores que prejudicam seu crescimento.

O calcário nanoestruturado já foi produzido em escalas que variam de 10 gramas em laboratório até toneladas em nível industrial. Sua eficiência agronômica foi avaliada em cultivos de soja e trigo.

Segundo nota técnica da Embrapa, os resultados obtidos até o momento indicam que os protótipos mantêm capacidade adequada de neutralização da acidez do solo e apresentam potencial para aumentar a produtividade e reduzir operações no campo.

Os testes em ambiente externo são conduzidos pela Perical, empresa brasileira especializada em mineração de calcário agrícola, com unidades em Goiás e Tocantins. Há mais de três anos, a companhia mantém um acordo de cooperação técnica com a Embrapa para apoiar o desenvolvimento da tecnologia.

Vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Embrapa atua desde 1973 na pesquisa e no desenvolvimento de soluções voltadas para a agricultura e a pecuária brasileiras.

Fonte: cenariomt

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