O Dia da África, celebrado nesta segunda-feira (25), reforçou a estratégia do governo federal de ampliar as relações diplomáticas, comerciais e culturais entre o Brasil e os países africanos. A atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a aproximação com o continente por meio de viagens oficiais, acordos bilaterais e iniciativas de cooperação.
Desde o início do mandato, Lula realizou sete viagens à África, incluindo visitas à África do Sul, Angola, Moçambique, Egito, Etiópia e São Tomé e Príncipe. O governo brasileiro também recebeu chefes de Estado africanos em Brasília, entre eles representantes de Angola, Nigéria e Benim.
Os acordos assinados envolvem setores como agricultura, saúde, educação, defesa, turismo, aviação civil e ciência e tecnologia. Segundo o Itamaraty, a ampliação das relações busca diversificar os parceiros comerciais do Brasil em meio ao aumento do protecionismo internacional.
O secretário de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, destacou que o continente africano reúne grande potencial econômico e populacional.
“Os países africanos representam um mercado com enorme potencial de crescimento e uma população jovem. Isso cria oportunidades importantes para o Brasil”, afirmou.
O Brasil possui uma ligação histórica profunda com a África. Entre os séculos 16 e 19, cerca de 4,8 milhões de africanos escravizados chegaram ao território brasileiro. Essa relação histórica também motivou novos acordos culturais entre Brasil e Angola, incluindo projetos de integração de arquivos históricos sobre a escravidão e cooperação artística.
No campo econômico, a África respondeu por 5,7% do fluxo comercial brasileiro em 2025, movimentando US$ 23,7 bilhões. O saldo da balança comercial foi superavitário para o Brasil em US$ 7,2 bilhões.
Apesar de o continente ainda representar uma parcela menor do comércio exterior brasileiro em comparação com Europa e América do Sul, o governo avalia que existe espaço para expansão. Desde 2020, o comércio entre Brasil e África cresceu 52%.
Especialistas avaliam que o atual governo retomou uma política de aproximação com o continente africano após um período de redução das relações diplomáticas entre 2017 e 2022. Pesquisadores destacam, porém, que o cenário econômico atual limita investimentos mais robustos em comparação aos primeiros governos Lula.
Na área científica, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou o relançamento do Programa ProÁfrica, voltado à cooperação tecnológica e acadêmica entre o Brasil e países africanos. A iniciativa terá investimento de R$ 25 milhões em projetos ligados à sustentabilidade, agricultura, saúde, energia e inovação.
Além disso, o governo federal já havia lançado outro edital de R$ 50 milhões para capacitação de pesquisadores, técnicos e agricultores em ações voltadas à segurança alimentar e produtividade agrícola.
Pesquisadores defendem que a cooperação entre Brasil e África deve priorizar soluções para os impactos das mudanças climáticas na agricultura, setor considerado estratégico para diversos países africanos.
Fonte: cenariomt




