Um levantamento nacional sobre autismo revelou que as mulheres são as principais responsáveis pelo cuidado de pessoas dentro do espectro no Brasil. Os dados fazem parte do Mapa do Autismo no Brasil, elaborado por uma organização não governamental com base em mais de 23 mil respostas em todo o país.
A realidade é vivida por mães como a advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, que acompanha de perto a trajetória do filho João, diagnosticado com autismo leve a moderado aos 8 anos. Desde os primeiros sinais, ainda na infância, ela passou a buscar atendimento especializado e reorganizou a rotina profissional para oferecer suporte integral.
A dedicação ao cuidado impacta diretamente a vida profissional dessas mulheres. Segundo o estudo, grande parte das cuidadoras está fora do mercado de trabalho, evidenciando o peso da responsabilidade no cotidiano familiar.
Diagnóstico mais cedo
O levantamento também aponta uma mudança considerada positiva: a idade média de diagnóstico no Brasil caiu para cerca de 4 anos, alinhando-se a padrões internacionais. Especialistas destacam que a identificação precoce facilita o acesso a terapias e melhora o desenvolvimento da pessoa autista.
Apesar do avanço, o custo do tratamento ainda é um desafio. Muitas famílias relatam gastos superiores a R$ 1 mil mensais com terapias, recorrendo principalmente a planos de saúde. Em regiões como Norte e Nordeste, o uso do sistema público de saúde é mais frequente.
Investimentos e desafios
O governo federal informou que ampliou os investimentos no atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista, com previsão de novos serviços especializados, incluindo centros de reabilitação e transporte adaptado. A proposta é fortalecer a rede de atendimento desde o diagnóstico até o acompanhamento multidisciplinar.
Além disso, o estudo deve orientar políticas públicas com recomendações para melhorar o suporte às famílias. A ampliação da conscientização sobre o autismo tem sido apontada como essencial para garantir mais pesquisas, formação de especialistas e acesso a direitos.
No Brasil, a estimativa é de que cerca de 2,4 milhões de pessoas estejam dentro do espectro. O diagnóstico precoce também permite que famílias busquem benefícios e inclusão em áreas como educação, saúde e assistência social.
Impactos sociais
O levantamento ainda evidencia desafios sociais enfrentados por muitas mulheres cuidadoras, incluindo sobrecarga emocional e, em alguns casos, ausência de apoio familiar. Mesmo assim, histórias como a de Anaiara mostram avanços na inclusão e no acesso a direitos, especialmente em espaços de lazer e educação.
A pesquisa reforça a necessidade de políticas públicas mais amplas, capazes de apoiar não apenas pessoas com autismo, mas também aqueles que assumem o cuidado diário.
Fonte: cenariomt





