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Ato do Cordão da Mentira na Av

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Um ato realizado na tarde deste sábado (16), na Avenida Paulista, em São Paulo, marcou os 20 anos dos Crimes de Maio, episódio que deixou mais de 500 mortos após ataques promovidos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e uma intensa reação policial no estado paulista.

A manifestação foi organizada pelo Movimento Mães de Maio e pelo Cordão da Mentira, bloco carnavalesco criado em 2012 para denunciar violações de direitos humanos e relembrar episódios de violência praticados pelo Estado durante e após a ditadura militar.

Com músicas, batuques e cartazes, os participantes cobraram responsabilização pelas mortes registradas em maio de 2006. Segundo organizações de direitos humanos e estudos acadêmicos, parte significativa das vítimas foi morta em ações com indícios de execução policial.

O protesto também contou com a participação de palestinos e apoiadores da causa palestina, que lembraram os 78 anos da Nakba, termo utilizado para definir o deslocamento forçado de palestinos durante a criação do Estado de Israel.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o Cordão da Mentira afirmou que o cortejo representa um ato de memória e denúncia contra o esquecimento e a impunidade.

O diretor de cinema e coordenador do Cordão da Mentira, Thiago Mendonça, destacou que o bloco surgiu a partir de debates entre sambistas sobre a presença de agentes ligados à repressão em espaços culturais. Segundo ele, o grupo busca discutir a violência de Estado no passado e no presente.

Desde a criação do Cordão da Mentira, o Movimento Mães de Maio participa das mobilizações e ocupa posição de destaque nos atos. Para Mendonça, o grupo é um dos principais movimentos de direitos humanos do país.

Neste ano, os organizadores decidiram unir a pauta dos Crimes de Maio à luta palestina. De acordo com Mendonça, a proposta foi aproximar debates sobre violência estatal e repressão.

A fundadora do Movimento Mães de Maio, Débora Maria da Silva, participou da caminhada e ressaltou a importância do ato para manter viva a memória das vítimas. Seu filho, Edson Rogério Silva, foi morto durante os Crimes de Maio.

Débora afirmou que o movimento continua denunciando a violência nas periferias e defendendo justiça para as famílias atingidas.

Mais de 500 mortos

De acordo com o relatório “Análise dos Impactos dos Ataques do PCC em São Paulo em maio de 2006”, elaborado pelo Laboratório de Análises da Violência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pelo menos 564 pessoas morreram durante os confrontos e ações registradas naquele período.

O levantamento aponta que 505 vítimas eram civis e 59 eram agentes públicos. O estudo também destaca suspeitas da participação de policiais em pelo menos 122 execuções.

Segundo os organizadores, o ato começou no Parque Trianon, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e seguiu em caminhada até o Al Janiah, restaurante e centro cultural palestino localizado na região do Bixiga, no centro da capital paulista.

Fonte: cenariomt

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