Uma música, três mulheres e uma história que atravessa décadas e continentes. O clássico “La Belle de Jour”, um dos maiores sucessos de Alceu Valença, nasceu de um encontro inesperado em Paris, de uma confusão cinematográfica e de uma lembrança guardada à beira-mar.
Era 1986, Alceu estava na capital francesa para participar de um festival. Após o evento, decidiu esticar a noite em um bar próximo. Foi ali que cruzou olhares com uma mulher que chamou sua atenção imediatamente.
A conversa começou leve. Ela perguntou o que ele fazia da vida. “Sou poeta”, respondeu. Em tom de brincadeira, ela lançou o desafio: “Então faz um poema para mim”.
Espirituoso, Alceu entregou um guardanapo em branco, dizendo que aquele era um “poema branco” dedicado a ela. A história terminou ali até porque, na época, ele tinha namorada no Brasil e seguiu seu caminho.
Tempos depois, o cantor descobriria que aquela mulher era ninguém menos que a atriz britânica Jacqueline Bisset, estrela internacional do cinema.
O erro que virou inspiração
Anos mais tarde, com a lembrança ainda viva, Alceu decidiu homenagear a atriz escrevendo uma música inspirada no filme francês “Belle de Jour”, de 1967, estrelado por Catherine Deneuve.
O título significa “A Bela da Tarde”. O detalhe é que o filme não era protagonizado por Jacqueline Bisset, mas por Catherine Deneuve. A confusão entre as duas atrizes só seria percebida muito tempo depois, quando a canção já era sucesso consolidado.
O equívoco, no entanto, não diminuiu o encanto da composição. Pelo contrário: ajudou a eternizar uma memória transformada em arte.
A terceira mulher da história
E como se não bastasse, há ainda uma terceira figura que ajudou a construir o imaginário da música.
Em outra ocasião, já em Recife, Alceu estava na casa dos pais quando viu, da janela, uma jovem dançando balé clássico na orla da praia. A imagem da bailarina à beira-mar ficou gravada em sua memória.
Quando decidiu compor “La Belle de Jour”, ele misturou as referências: o olhar trocado em Paris, o filme francês, a atriz confundida e a cena poética da dançarina sob o céu azul nordestino.
“La Belle de Jour” nasceu assim: de um encontro casual em Paris, de um erro cinematográfico e de uma visão inesquecível à beira-mar. Mais do que uma musa, a canção celebra a beleza idealizada aquela que mistura realidade, memória e imaginação. Talvez por isso continue atravessando gerações, como uma tarde que nunca termina.
Fonte: primeirapagina






