– A Justiça determinou que o advogado Reinaldo Américo Ortigara mantenha distância mínima de 1 quilômetro da advogada Silvana Alves de Souza, esposa do delegado Bruno Abreu, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), após uma discussão em um grupo de WhatsApp de moradores de um condomínio em Cuiabá.
A confusão, motivada inicialmente por reclamações sobre o barulho de araras mantidas em uma das residências, terminou em denúncias por injúria e ameaça. Durante a troca de mensagens, Reinaldo teria feito uma série de ofensas contra Silvana e outros moradores.
A medida protetiva foi concedida pelo juiz plantonista Jean Garcia de Freitas Bezerra nesta segunda-feira (24).
A juíza Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima, que também mora no condomínio e integra o grupo de WhatsApp, denunciou Reinaldo por injúria e ameaça. No entanto, ainda não há decisão sobre a denúncia apresentada por ela.
A discussão começou na manhã de domingo (23), quando moradores passaram a reclamar do barulho provocado por araras mantidas em uma das residências.
Por volta das 9h30, a moradora responsável pelos animais, que também é delegada, pediu a inclusão do noivo, Reinaldo, no grupo. Após entrar na conversa, ele passou a rebater as reclamações dos demais moradores.
Em uma das mensagens, ele afirmou que não haveria “homem nesse condomínio, macho o suficiente, para retirar as araras” da residência. A partir daí, a discussão se intensificou.
Em determinado momento, o advogado publicou fotografias de fezes que atribuiu aos cães de Silvana e Bruno. Quando a advogada informou que os animais das imagens já haviam morrido, ele respondeu: “Sério? KKKKK. Bem feito”. Na sequência, escreveu: “Tomara que os demais morram também. Farei uma oração”.
Ao dizer que adotaria providências contra as ofensas, a advogada recebeu como resposta que deveria “enfiar as providências no rabo”.
Ao analisar o caso, o juiz Jean Garcia considerou que as mensagens ultrapassaram os limites de uma simples discussão entre vizinhos e apresentaram elementos de violência psicológica baseada em gênero.
Além de manter distância mínima de 1 quilômetro de Silvana, familiares e testemunhas, Reinaldo está proibido de entrar em contato com ela por qualquer meio e de frequentar sua residência e local de trabalho.
A decisão também o impede de participar de grupos de aplicativos de mensagens dos quais Silvana faça parte.
O juiz ainda determinou a suspensão de eventual posse e a restrição de eventual porte de arma de fogo em nome de Reinaldo. Silvana também terá à disposição botão do pânico e acompanhamento da Patrulha Maria da Penha.
O descumprimento das medidas poderá resultar na prisão do advogado.
Histórico
Reinaldo foi investigado em 2019 em um inquérito que tramitou na Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Várzea Grande.
O procedimento envolvia fatos então tipificados como ameaça, lesão corporal e porte ilegal de arma de fogo.
Em 2021, ele também foi denunciado por mensagens ofensivas contra Flávia Moretti, então presidente da 5ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Várzea Grande, após uma discussão em um grupo de advogados.
Fonte: odocumento





