O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, foi filmado colocando blocos de dinheiro em uma mochila após a preparação das cédulas por uma funcionária de agência bancária. Segundo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que fundamentou as prisões da Operação Tomada de Contas, ele teria recebido R$ 32,3 milhões em pagamentos analisados pela investigação.
Assinado pelo ministro Og Fernandes, o documento aponta Grhegory como o maior destinatário individual dos recursos investigados. Do total de R$ 32.310.120,43, cerca de R$ 31,64 milhões teriam sido transferidos por meio de 179 ordens bancárias avulsas, distribuídas em 12 contas de nove instituições financeiras.
As imagens examinadas pela Polícia Federal mostram o consultor em episódios de retirada e movimentação de dinheiro. A decisão não informa quanto havia na mochila nem vincula o total de R$ 32,3 milhões àquela retirada específica.
“Grhegory Paiva Pires Moreira Maia aparece acondicionando blocos de dinheiro em uma mochila após a preparação do numerário por funcionária da agência”, descreveu o ministro.
O documento também aponta crescimento patrimonial de R$ 1,84 milhão, em janeiro de 2025, para R$ 7,61 milhões, em outubro do mesmo ano. Para os investigadores, a distribuição dos créditos entre diversas contas e os indícios de ocultação de patrimônio justificam aprofundar a apuração sobre a destinação dos recursos.
Transporte de dinheiro
Outro investigado, Adriangelo Barros Antunes, é apontado como responsável pelo transporte e pela circulação de parte dos valores sacados. Secretário executivo de comissão permanente e ex-cunhado de Sérgio Ricardo, ele também foi alvo de prisão preventiva.
Em uma diligência realizada em 14 de outubro de 2025, policiais observaram um homem com características físicas compatíveis com as de Adriangelo entrar no posto do Sicoob instalado nas dependências do TCE com uma mochila vazia e sair com ela aparentemente carregada, seguindo para as dependências do tribunal.
A decisão registra que o Ministério Público Federal reconheceu limitações quanto à certeza da identificação visual, mas considerou haver convergência entre as imagens, a dinâmica observada e a relação funcional do investigado com o grupo.
O documento também relata que, em seis oportunidades, dinheiro sacado por Roseli Loss teria sido entregue a Adriangelo. Chefe de gabinete de Sérgio Ricardo, Roseli é apontada como uma das principais operadoras dos saques nas contas vinculadas ao núcleo investigado.
Segundo a decisão, as imagens mostram Roseli realizando retiradas que somam R$ 3,52 milhões. Adriangelo, por sua vez, teria recebido cerca de R$ 2,28 milhões a partir de setembro de 2025.
“Folha paralela”
Deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (29), a Operação Tomada de Contas investiga suspeitas de irregularidades em contratos e pagamentos do TCE-MT.
Uma das frentes é a existência de uma suposta “folha paralela”, com transferências a conselheiros e servidores fora do processamento normal dos salários, inclusive pelo canal destinado ao pagamento de fornecedores. Os recursos seriam posteriormente sacados ou distribuídos entre diferentes contas.
A investigação também apura se a suspensão de contratos, sob justificativa de contenção de despesas, foi utilizada para pressionar empresas a devolver parte dos valores recebidos do tribunal.
Além de Grhegory e Adriangelo, o STJ decretou as prisões preventivas de Sérgio Ricardo, Roseli Loss, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke. Os seis tiveram as prisões mantidas em audiência de custódia na tarde de quinta-feira.
Ao determinar as medidas, Og Fernandes apontou riscos de continuidade das condutas, ocultação de patrimônio e interferência na produção de provas. A responsabilidade dos investigados e a destinação dos recursos permanecem sob apuração.
Fonte: leiagora






