O câncer colorretal — tumor que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto — consolida-se como o segundo tipo de câncer mais comum tanto entre homens quanto entre mulheres no Brasil. A doença costuma evoluir de forma silenciosa a partir de pequenas lesões benignas, chamadas pólipos, que podem levar de 5 a 15 anos para se transformar em um tumor maligno.
Em entrevista ao portal CenarioMT, o médico Mário Bernardes, cirurgião oncologista com doutorado pela USP e especialista em cirurgia robótica pelo Hospital de Amor de Barretos (SP), fez um alerta sobre o aumento da incidência da doença em pacientes com menos de 50 anos de idade e detalhou como a colonoscopia preventiva é capaz de evitar a formação do câncer.
Colonoscopia: Diagnóstico e Prevenção Simultâneos
Diferente de exames que apenas detectam lesões já existentes, a colonoscopia atua diretamente na prevenção primária. Durante o procedimento, caso seja identificado um pólipo — lesão semelhante a uma pequena verruga —, ele é removido imediatamente, interrompendo a possível evolução para um tumor.
“O câncer de cólon é prevenível. Quando o paciente não sente nenhum sintoma, realiza a colonoscopia e é encontrado um pólipo, a retirada ocorre no próprio exame. Ou seja, tratamos uma lesão que poderia virar um câncer no futuro através de um procedimento pouco invasivo e com alta taxa de sucesso. Por isso, a orientação é buscar realizar a colonoscopia a partir dos 40 anos de idade”, reforça o Dr. Mário Bernardes.
Alimentação e Fatores de Risco
A alimentação desempenha um papel central no desenvolvimento ou na prevenção do câncer colorretal. O consumo frequente de alimentos ultraprocessados — como embutidos, salsichas e presuntos — favorece processos inflamatórios crônicos na mucosa intestinal, aumentando o risco de surgimento de lesões.
Para proteger a saúde intestinal, o especialista recomenda:
Evitar ultraprocessados: Reduzir ou eliminar alimentos industrializados com aditivos químicos.
Aumentar o consumo de fibras e vegetais: Dar preferência a frutas, verduras e grãos.
Priorizar proteínas in natura: Dar opção a carnes magras (bovina, frango, porco ou peixe) em sua forma natural, preparadas sem excesso de processamento.
Praticar atividades físicas e controlar o peso: Hábitos saudáveis de vida diminuem a resposta inflamatória do organismo.
Altas Taxas de Cura no Diagnóstico Precoce
Embora o diagnóstico de câncer traga um forte impacto psicossocial, o oncologista ressalta que as chances de cura para o câncer de intestino em estágios iniciais são reais e bastante elevadas.
“Na casuística do meu doutorado, 100% dos pacientes diagnosticados com tumor precoce estavam vivos. É uma chance plena de cura. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de sucesso, menor é a agressividade do tratamento e menores são as sequelas para o paciente. Precisamos perder o medo da palavra ‘câncer’ e focar na informação de qualidade e na prevenção”, concluiu o cirurgião.
Fonte: cenariomt





