O último debate previsto entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes da votação de segundo turno será realizado nesta sexta-feira (23), na TV Globo, a partir das 21h20, após o Jornal Nacional. A expectativa tanto do PT quanto do PL é de que o embate da Globo seja o momento para atrair aqueles eleitores que ainda estão indecisos ou que não votaram no primeiro turno.

O primeiro confronto direto entre os dois candidatos a presidente, promovido pela TV Band no último domingo (18) [https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/bom-dia/como-foi-debate-band-lula-flavio-bolsonaro/], foi marcado por acusações e avaliações críticas das duas campanhas.

A votação do segundo turno está marcada para este domingo (25). Na primeira rodada [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/flavio-impoe-revanche-a-lula-e-chega-como-favorito-ao-2o-turno/], Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos nas urnas, ante 45,16% de Lula — uma vantagem de mais de 2,2 milhões de votos para o senador sobre o presidente.

Debate na Globo terá três blocos e dinâmica diferente da Band

O debate terá três blocos, com dinâmicas diferentes das do confronto realizado pela Band [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/flavio-bolsonaro-lula-primeiro-debate-presidencial/?utm_source=salesforce&utm_medium=emkt&utm_campaign=newsletter-bom-dia&utm_content=bom-dia]. No primeiro, as cinco regiões do Brasil serão abordadas por sorteio. A cada rodada, o candidato sorteado deverá formular uma pergunta sobre a região ao adversário. Ao longo do bloco, todas as regiões serão contempladas.

No segundo bloco, cada candidato poderá escolher seis entre dez temas definidos pela produção da TV Globo e exibidos em um telão. Entre os assuntos citados pela GloboNews estão o Sistema Único de Saúde (SUS) e o ensino integral nas escolas. A seleção permitirá que os presidenciáveis direcionem as discussões para os temas que considerarem prioritários.

O terceiro bloco será dedicado a temas livres, dando aos candidatos a oportunidade de abordar os assuntos que desejarem. Ao fim, Lula e Flávio terão espaço para as considerações finais, quando poderão apresentar suas últimas mensagens aos eleitores antes da votação.

As regras foram divulgadas na segunda-feira (19) pela jornalista Andréia Sadi, na GloboNews, após as duas campanhas assinarem as atas com os termos do confronto. Ainda há possibilidade de que os candidatos e a emissora cheguem a novos acordos até o dia do debate.

A Gazeta do Povo procurou a comunicação da TV Globo para obter mais informações sobre o debate, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso a emissora se manifeste.

Além do canal aberto da emissora fluminense, o encontro com mediação do jornalista César Tralli será transmitido ao vivo pela GloboNews e pelo portal G1.

Campanhas avaliam erros e preparam ajustes para o debate da Globo

Para o embate da TV Globo, as avaliações internas sobre o evento da Band [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/lula-flavio-bolsonaro-debate-band-segundo-turno/] vão orientar os ajustes da estratégia de Lula e Flávio Bolsonaro. Integrantes das duas campanhas ouvidos pela Gazeta do Povo apontaram falhas e oportunidades que, na avaliação deles, poderiam ter sido mais bem exploradas no primeiro encontro e esperam corrigir a abordagem na reta final da disputa.

No entorno de Flávio, parte dos estrategistas considerou que o senador teve um bom desempenho, mas poderia ter explorado mais temas que representam pontos de vulnerabilidade para Lula, especialmente a segurança pública. A campanha do PL avaliou que as perguntas sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sobre a lobista Roberta Luchsinger [https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/roberta-luchsinger-amiga-intima-de-lulinha/], ambos investigados no caso de fraudes no INSS, ajudaram a desestabilizar o presidente.

Aliados de Flávio também criticaram declarações de Lula sobre os cariocas, a defesa das chamadas “saidinhas” de presos e a falta de explicações mais objetivas sobre programas sociais. A avaliação no PL é de que Flávio precisa aproveitar melhor as oportunidades de confronto e explorar as respostas do adversário.

Como a campanha considera que o senador precisa ampliar sua vantagem na reta final, integrantes do grupo admitem uma postura mais incisiva no debate da Globo.

Entre os petistas, a conclusão é de que Lula teve dificuldades para concluir sua mensagem final e pedir votos de forma direta. Por outro lado, consideraram positiva a oferta do presidente de abrir seus sigilos bancário e de mensagens, e criticaram Flávio por não ter aceitado abrir os próprios sigilos. Na avaliação de aliados do presidente, Lula conseguiu se sair melhor depois da fase inicial de troca livre de acusações.

Para a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em marketing Lilian Carvalho, o formato dos debates também é influenciado pela repercussão dos confrontos nas redes sociais. Segundo ela, os candidatos precisam considerar não apenas o desempenho durante a transmissão, mas também a forma como suas falas serão recortadas e compartilhadas posteriormente.

“É nesse ponto que aparece uma das principais limitações da estratégia adotada pelas campanhas: os candidatos acabam pregando para convertidos”, afirma Carvalho. Para ela, provocações que mobilizam eleitores já convencidos podem não ser suficientes para conquistar novos apoios, sobretudo entre os que ainda não decidiram o voto.

Primeiro turno não teve debate entre Lula e Flávio

Antes da votação de primeiro turno, no último dia 4 de outubro, não houve debate eleitoral com a participação de Lula e Flávio. O debate da Band foi boicotado [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/candidatos-cobram-lula-flavio-suspeitascorrupcao-ausencias-debate-presidente/] pelos dois. Já o debate marcado pela Globo foi cancelado [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/sem-flavio-e-lula-globo-cancela-debate-presidencial/] cerca de uma hora antes do horário de início previsto para o encontro.

Na ocasião, Lula já havia decidido não participar do debate. O presidente preferiu atender a uma entrevista do Flow Podcast para o mesmo horário.

Flávio, por sua vez, chegou a afirmar que participaria do debate mesmo sem a presença de Lula. A desistência do candidato do PL, no entanto, foi anunciada depois de uma liminar concedida pela ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha, por volta das 18h30 do dia do debate.

Candidatos tentam conter a rejeição junto ao eleitorado

Além da mobilização da militância para esta reta final da disputa, o cenário eleitoral vai influenciar as estratégias dos candidatos. Pesquisa PoderData [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/poderdata-presidente-outubro-2026-segundo-turno-5/] divulgada nesta quinta-feira (22) mostra Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Os percentuais de votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos.

A pesquisa apontou ainda que 47% dos eleitores dizem que não votariam “de jeito nenhum” no presidente Lula no segundo turno das eleições. Outros 45% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro.

Para o cientista político Elias Tavares, a reta final da eleição é marcada não apenas pela disputa por votos, mas também pela rejeição aos dois candidatos. Segundo ele, uma parcela do eleitorado não se identifica plenamente com nenhuma das candidaturas e terá de escolher aquela que considera menos ruim.

“Esse eleitor não está escolhendo quem considera melhor. Está tentando decidir quem considera menos pior”, afirma.

Na avaliação de Tavares, o debate da Band evidenciou a dificuldade dos candidatos de dialogar com esse grupo. Embora os ataques ao adversário possam mobilizar as bases já convencidas, eles não necessariamente conquistam novos apoios.

“A verdadeira disputa desta última semana não está apenas entre os militantes. Está naquele eleitor que assiste ao confronto e continua perguntando: ‘É realmente entre esses dois que eu tenho de escolher?’”, aponta o cientista político.