Saúde

Outubro Rosa em MT: Debate sobre prevenção do câncer de mama entre pessoas trans

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2026

Enquanto o Outubro Rosa reforça a importância da prevenção ao câncer de mama, Mato Grosso registra um aumento expressivo na visibilidade da população transexual.

O número de retificações de gênero em cartórios dobrou em um ano, passando de 22, em 2024, para 44, em 2025, segundo dados da Associação dos Notários e Registradores (Anoreg/MT). O crescimento chama a atenção para um grupo que frequentemente permanece à margem das estatísticas tradicionais de saúde e que também necessita de acompanhamento oncológico especializado.

Nesse contexto, a prevenção ao câncer de mama exige uma abordagem clínica que vai muito além da identidade de gênero ou do registro civil. A endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora de Endocrinologia da Afya, ressalta que as condutas médicas devem ser individualizadas, considerando as características e o histórico de cada paciente.

“Quando avaliamos uma pessoa trans, não podemos pensar no rastreamento do câncer apenas com base no gênero com o qual ela se identifica. É preciso saber quais órgãos e tecidos essa pessoa mantém, se realizou alguma cirurgia, quais hormônios utiliza ou utilizou, por quanto tempo, além da idade e dos fatores de risco individuais”, explica.

A endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora de Endocrinologia da Afya, ressalta que as condutas médicas devem ser individualizadas, considerando as características e o histórico de cada paciente.
A endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora de Endocrinologia da Afya, ressalta que as condutas médicas devem ser individualizadas, considerando as características e o histórico de cada paciente.

No caso de pessoas transmasculinas, o uso de testosterona e a realização de cirurgias de masculinização do tórax exigem atenção específica. O Ministério da Saúde orienta que homens trans e pessoas não binárias que mantêm o tecido mamário sejam incluídos no rastreamento mamográfico periódico, entre os 50 e os 74 anos. Isso porque os procedimentos cirúrgicos nem sempre removem todo o tecido mamário, o que significa que o risco de câncer permanece.

“O uso de testosterona não elimina a necessidade de prevenção do câncer de mama. Se a pessoa mantém as mamas, deve haver acompanhamento compatível com sua idade e seus fatores individuais”, reforça a endocrinologista. Ela destaca ainda a importância de investigar o histórico familiar e possíveis fatores genéticos que possam aumentar a predisposição à doença.

Entre as mulheres trans, o uso de estrogênio pode promover o desenvolvimento do tecido mamário como parte do processo de afirmação de gênero. A exposição hormonal está associada a alterações no risco de câncer de mama, o que torna importante avaliar o tempo de uso dos hormônios, a idade e o histórico familiar. A presença de próteses de silicone, por sua vez, não impede a realização de exames de imagem, embora exija cuidados técnicos específicos.

A médica também ressalta a diferença entre o rastreamento de rotina e a investigação de possíveis sinais da doença. “O surgimento de alterações novas e persistentes, como nódulos na mama ou na axila, mudanças na pele ou no formato do mamilo, secreções, feridas ou inchaço localizado, exige busca imediata por atendimento, independentemente da idade ou do tempo de uso de hormônios”, explica.

Barreiras de acesso e a importância do acolhimento

Além das particularidades clínicas, a população trans enfrenta obstáculos no acesso aos serviços de saúde, muitas vezes relacionados ao receio de constrangimentos e à falta de preparo das equipes. Para a endocrinologista Renata Bussuan, garantir um atendimento acolhedor passa por respeitar o nome social, evitar pressupostos automáticos nos sistemas de atendimento e adequar os espaços físicos para prevenir situações desconfortáveis.

A especialista destaca que mudanças aparentemente simples na estrutura dos serviços podem contribuir significativamente para a adesão ao acompanhamento médico.

“Um homem trans que precisa realizar uma mamografia, por exemplo, pode se sentir extremamente desconfortável em uma sala de espera identificada exclusivamente como espaço feminino. Às vezes, uma mudança aparentemente pequena na organização do serviço pode fazer uma enorme diferença”, acrescenta.

Como forma de ampliar o acesso à assistência médica em Mato Grosso, a Afya Educação Médica Cuiabá oferece atendimentos gratuitos nas especialidades de endocrinologia, nutrologia, clínica da dor, ultrassonografia, pediatria e psiquiatria. Para obter informações e agendar consultas, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (65) 99689-7280.

Fonte: cenariomt

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