Turistas que visitam o Pantanal de Mato Grosso para observar onças-pintadas estariam dispostos a pagar uma taxa para ajudar na conservação ambiental? Essa é uma das questões investigadas por uma pesquisa iniciada em outubro, que também pretende descobrir quanto dinheiro o turismo de observação movimenta e quem se beneficia economicamente da presença do maior felino das Américas.
O estudo faz parte do projeto Transformando a onça-pintada em um ativo para o Pantanal, desenvolvido pela Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS), em parceria com a WWF-Brasil. A iniciativa busca dimensionar os impactos econômicos e sociais da atividade, que já movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, transportadoras e serviços de guias turísticos.
A pesquisa abrange um trecho de 145 quilômetros, desde a Transpantaneira até o Parque Estadual Encontro das Águas, região conhecida pela concentração de onças-pintadas e considerada um dos principais destinos brasileiros para a observação desses animais na natureza.
Possível taxa de conservação está entre os temas investigados
Um dos pontos analisados é a disposição dos visitantes em contribuir financeiramente com uma eventual taxa destinada à conservação ambiental.
O levantamento pretende identificar se os turistas aceitariam esse tipo de contribuição, além de reunir informações que possam orientar futuras estratégias de preservação e desenvolvimento sustentável.
A pesquisa não significa que uma nova taxa será criada. Até o momento, o projeto prevê apenas a avaliação da percepção dos visitantes sobre essa possibilidade, sem anúncio de cobrança ou definição de valores.
Quanto vale uma onça-pintada viva para o Pantanal?
Outra questão central é compreender o valor econômico da onça-pintada viva para a região. A presença do animal atrai visitantes interessados em fotografá-lo e observá-lo em seu habitat natural, gerando oportunidades de trabalho e renda para diferentes setores.
Apesar da importância turística da espécie, os pesquisadores apontam que ainda faltam informações sobre o volume de recursos movimentados e, principalmente, sobre como esse dinheiro é distribuído entre empresários, trabalhadores e moradores das comunidades pantaneiras.
Segundo a vice-presidente da Associação TOVS, Suzi Camargo, a intenção é compreender como a conservação da espécie pode gerar benefícios concretos para a população local.
“Queremos entender como o valor da onça viva pode se traduzir em conservação e benefícios para quem vive no território, quais são benefícios e como eles se distribuem”, explicou.
Os resultados poderão ajudar a identificar oportunidades de investimento, necessidades de infraestrutura e medidas para fortalecer a atividade sem comprometer a preservação ambiental.
Pesquisa percorre a Transpantaneira e Porto Jofre
Iniciado em outubro de 2026, o projeto terá uma etapa de levantamento presencial entre os dias 18 e 22 deste mês, em Porto Jofre e ao longo da Transpantaneira.
A equipe ouvirá moradores, gestores públicos, guias, condutores, empresários e profissionais ligados ao turismo de observação da vida silvestre.
Também serão consultados turistas, operadores turísticos, representantes de meios de hospedagem e proprietários rurais.
A participação do público ocorre ainda por meio de uma pesquisa on-line, aberta em 13 de outubro e disponível até 9 de novembro. A previsão é que os resultados finais sejam apresentados em março de 2027.
Estudo pode orientar investimentos no turismo
Para o secretário adjunto de Turismo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Luis Carlos Nigro, a participação dos profissionais do setor é fundamental para que os resultados representem a realidade da atividade turística. “Quanto mais informações forem reunidas, melhor poderemos compreender as demandas, identificar oportunidades e planejar ações que fortaleçam o turismo na região”, afirmou.
Além de dimensionar o potencial econômico da observação de onças-pintadas, o estudo pretende apontar desafios enfrentados pelos trabalhadores e pelas comunidades que vivem nas áreas visitadas.
A expectativa é que as informações auxiliem tanto o poder público quanto a iniciativa privada na organização do turismo e na definição de ações voltadas à conservação da biodiversidade.
Fonte: primeirapagina





