A Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) cunhou a expressão “tsunami de fraturas” para alertar sobre o avanço da osteoporose, uma condição que, após os 50 anos, afeta uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens. O cenário é considerado extremamente preocupante por especialistas, com projeções indicando que o número de fraturas no Brasil pode saltar seis vezes até 2050, levantando dúvidas inclusive sobre a capacidade de atendimento da rede de saúde diante de tantas ocorrências.
Historicamente, em 2015, o país registrou 80,6 mil fraturas de quadril — considerada a lesão mais grave —, sendo 57,2 mil em mulheres e 23,4 mil em homens. As estimativas projetam 197,7 mil novos episódios até 2040, o que representa um aumento de 245%, com a população feminina mantendo-se na dianteira. Globalmente, estima-se que 200 milhões de pessoas convivam com a osteoporose.
🔍 Ferramentas de Avaliação e Alertas Globais
Para tentar conter essa avalanche de lesões, pesquisadores como John A. Kanis, da Universidade de Sheffield, aperfeiçoaram a Ferramenta de Avaliação do Risco de Fratura (Frax). O teste online, adaptado para países latino-americanos como o Brasil, calcula a probabilidade de um indivíduo sofrer uma fratura em um horizonte de dez anos com base em dados clínicos (como peso, idade e altura) ou nos resultados de exames de densitometria óssea.
Na frente de atendimento de emergência, especialistas como o presidente da IOF, Cyrus Cooper, reforçam a importância de modelos como os Serviços de Atendimento a Fraturas (Fracture Liaison Services – FLS). O dado alarmante é que oito em cada dez pacientes que sofrem fraturas retornam para casa sem diagnóstico ou avaliação prévia, correndo riscos elevados de novas lesões.
🧬 O Que É a Doença e Quem Está Mais Suscetível?
Silenciosa e indolor em sua fase inicial, a osteoporose frequentemente só é descoberta após a primeira fratura. Os fatores de risco dividem-se em dois grandes grupos:
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Fatores Genéticos (60% dos casos): Envolvem características como pele branca, constituição física magra e baixa, histórico familiar da doença e variações hormonais.
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Fatores Ambientais: Estão associados ao estilo de vida, incluindo sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, alimentação carente em cálcio e baixa exposição solar.
Embora a incidência seja maior em mulheres devido à queda nos níveis de estrogênio na menopausa, especialistas alertam que a osteoporose não é exclusiva do público feminino nem da terceira idade, podendo atingir até mesmo adolescentes. Quando acomete homens, a doença tende a ser mais grave e apresentar taxas de mortalidade superiores.
🥛 Prevenção, Alimentação e o Conceito da “Poupança do Esqueleto”
Os cuidados com a saúde dos ossos devem começar precocemente — há na reumatologia a máxima de que a osteoporose é uma “doença pediátrica com consequências geriátricas”, cujos cuidados podem ter início ainda no período gestacional.
O esqueleto funciona como uma caderneta de poupança: até os 20 anos, o organismo acumula cálcio, atingindo o pico de massa óssea por volta dos 25 anos. A partir dos 45, contudo, o corpo passa a gastar mais do que armazena, com uma perda estimada em 0,5% ao ano.
Para minimizar esse desgaste, recomenda-se:
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Ingestão de Cálcio: O consumo diário ideal para adultos varia entre 1.000 e 1.200 miligramas, obtido majoritariamente por meio de leite e derivados.
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Vitamina D: Essencial para fixar o mineral nos ossos, obtida principalmente por meio da exposição solar diária (cerca de 15 minutos sem protetor solar nos horários recomendados).
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Atividade Física: Exercícios regulares fortalecem a musculatura e protegem o esqueleto contra quedas.
🏥 Diagnóstico e Cuidados com Medicamentos
O principal exame para confirmar a fragilidade óssea é a densitometria óssea, recomendada anualmente para mulheres a partir de 65 anos e homens após os 70 anos. O exame também ajuda a rastrear a sarcopenia (perda de massa muscular).
Confirmado o diagnóstico, o tratamento pode incluir desde mudanças no estilo de vida até o uso de medicamentos antirreabsortivos (como bisfosfonatos) ou anabólicos para quadros avançados. Em paralelo, médicos alertam para os chamados “ladrões de ossos” — medicamentos como corticoides, imunossupressores e anticoagulantes que, quando usados sem acompanhamento rigoroso, podem acelerar a degeneração da estrutura óssea.
Fonte: cenariomt





