Uma mulher que viveu por 17 anos em uma casa construída entre árvores precisou desmontar a estrutura após uma longa disputa com autoridades. Shawnee Chasser, então com 72 anos, deixou o imóvel em setembro de 2023, depois que as multas e taxas acumuladas ultrapassaram US$ 45 mil.
A residência ficava no quintal de um terreno em Mato Grosso? Não. O caso ocorreu em Miami, nos Estados Unidos, onde Shawnee transformou o espaço em uma moradia aberta ao vento e à chuva.
Casa na árvore virou moradia permanente
A construção tinha cozinha, escritório e um quarto suspenso entre um carvalho e uma figueira estranguladora. No piso inferior, havia fogão, forno, pia, geladeira, televisão, livros e fotografias da família.
A estrutura também contava com energia elétrica, água encanada e internet. Essas adaptações, porém, foram feitas sem as licenças exigidas e acabaram no centro da disputa com o condado.
O local ainda tinha piscina, cascata e vegetação tropical. Para Shawnee, o espaço representava um refúgio e uma forma de viver ao ar livre.
Vida ao ar livre começou após crise
A relação de Shawnee com esse tipo de moradia começou em 1976. Depois de dormir em uma casa com ar-condicionado, ela acordou durante a madrugada em meio a uma crise de ansiedade e tentou abrir portas e janelas.
Nos anos seguintes, passou a viver em uma van e em uma barraca. Em 1992, concluiu sua primeira casa suspensa, pouco antes da passagem do furacão Andrew pela Flórida.
Em 2006, ela se mudou com o filho, Joshua Braden Levy, para outro terreno em Miami. Os dois planejaram a nova estrutura entre as árvores. Joshua morreu de ataque cardíaco em 2009, aos 32 anos, e a permanência no local também ganhou um significado afetivo para Shawnee.
Denúncia iniciou disputa com autoridades
Em 2015, uma denúncia levou fiscais ao terreno. Segundo Shawnee, a reclamação teria sido feita por uma antiga inquilina.
A inspeção apontou construções sem autorização, instalações consideradas inadequadas e uso irregular da propriedade para hospedagem. As autoridades determinaram que as estruturas fossem adaptadas às normas de segurança ou retiradas.
Shawnee estimava que a regularização custaria mais de US$ 100 mil. Sem recursos para bancar a adequação, ela permaneceu em uma disputa que se estendeu por sete anos.
Multas ultrapassaram US$ 45 mil
Ao longo do processo, multas, taxas e gravames foram acumulados. Em setembro de 2023, o valor informado pelo condado chegou a US$ 45.815, quantia equivalente a cerca de R$ 238 mil pela cotação comercial de 20 de agosto de 2026.
A própria desmontagem também teria um custo elevado. Shawnee calculou que o serviço poderia ficar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil e iniciou uma campanha para arrecadar recursos.
Moradia foi desmontada em 2023
A retirada da estrutura começou em setembro de 2023. Poucos dias depois, restavam apenas algumas peças de madeira no quintal.
Após décadas vivendo de forma alternativa, Shawnee voltou a dormir entre quatro paredes. Em entrevista à imprensa local, afirmou que se sente como um pássaro preso em uma gaiola quando está dentro de uma casa.
Mesmo após desmontar a antiga estrutura, ela pretendia construir uma nova moradia ao ar livre no mesmo terreno, desta vez seguindo as regras exigidas. Enquanto o novo projeto não avançava, precisou permanecer em uma residência convencional e esperar pela oportunidade de voltar a dormir sob as árvores.
Fonte: cenariomt





