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Piloto de Lucas do Rio Verde conquista bicampeonato de Parapente em Conquista d’Oeste: Destaque no Esporte Aéreo

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2026

O céu de Conquista d’Oeste foi cenário de mais uma grande disputa de voo livre entre os dias 13 e 16 de agosto. Realizado na tradicional Rampa Paraíso, o XC Parapente Conquista d’Oeste 2026 reuniu pilotos de diferentes regiões do país e terminou com um resultado de destaque para Lucas do Rio Verde.

Representando o município, o piloto Aélcio Barbosa Silva conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o primeiro lugar na categoria Sport e garantiu o bicampeonato da competição.

Piloto de Lucas do Rio Verde conquista bicampeonato no XC Conquista d’Oeste
Piloto de Lucas do Rio Verde conquista bicampeonato no XC Conquista d’Oeste. Foto: Nicolle Muraro I @ventonorteparaglider

Além de repetir o título conquistado em 2025, Aélcio teve um dos melhores desempenhos de toda a prova. Na soma dos três melhores voos considerados pela organização, o piloto atingiu 289,27 quilômetros, a maior distância acumulada entre as categorias Sport, Open e Lite.

Na classificação oficial da categoria Sport, foram considerados voos de 120,90 quilômetros, 104,75 quilômetros e 63,62 quilômetros. O segundo colocado terminou com 256,54 quilômetros.

O desempenho do luverdense também superou o resultado do campeão da categoria Open, considerada a principal categoria da competição, que acumulou 266,77 quilômetros.

Na categoria Open, Luiz Martins, conquistou a 2ª colocação, com um total de 252.16 km em distância voados. Luiz é morador da cidade de Sorriso.

LUIZ
Morador de Sorriso conquista 2º lugar na categoria Open. Foto: Nicolle Muraro I @ventonorteparaglider

A disputa reuniu pilotos de Mato Grosso, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, aumentando o nível técnico da competição e consolidando o XC Conquista d’Oeste no calendário nacional do voo livre.

Mais de uma década dedicada ao voo

A relação de Aélcio com o parapente começou em 2013, depois que ele recebeu o convite de um amigo para conhecer o esporte. O interesse pela atividade, porém, vinha desde a juventude, quando já alimentava o fascínio por aviões e pela possibilidade de voar.

Como Lucas do Rio Verde não possui montanhas próximas para a prática tradicional do parapente, o piloto buscou alternativas. Passou a utilizar o paramotor e, posteriormente, desenvolveu a prática do voo rebocado, sistema que permite a decolagem por meio de reboque e possibilita voos na própria região.

A paixão pelo esporte também levou Aélcio às competições. Em 2019, participou de sua primeira disputa, uma etapa do Campeonato Goianiense de Parapente, em Jaraguá, Goiás, quando terminou na quarta colocação.

Desde então, o piloto passou a investir cada vez mais em treinamento, estudos e conhecimento das condições meteorológicas.

Aélcio já voou em diferentes estados brasileiros, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e estados da região Sul. Também teve experiência internacional em Iquique, no Chile, onde permaneceu durante dez dias praticando o esporte.

Evolução construída em quatro edições

A trajetória no XC Conquista d’Oeste demonstra uma evolução constante.

Em 2023, Aélcio terminou a competição na terceira colocação. No ano seguinte, ficou em quarto lugar. Em 2025, conquistou seu primeiro título e, agora, voltou à Rampa Paraíso para confirmar a evolução com o bicampeonato.

Segundo o piloto, a estratégia adotada em 2026 foi buscar a liderança desde o início e trabalhar para mantê-la até o encerramento da prova.

Mais do que superar os adversários, porém, Aélcio afirma que sua principal meta é superar os próprios limites.

“Eu não queria voar mais que ninguém. Eu queria voar mais que eu mesmo.”, descreveu o esportista.

Piloto de Lucas do Rio Verde conquista bicampeonato no XC Conquista d’Oeste
Piloto de Lucas do Rio Verde conquista bicampeonato no XC Conquista d’Oeste. Foto: Nicolle Muraro I @ventonorteparaglider.

Cinco horas no ar e uma recuperação decisiva

Os registros dos voos realizados durante a competição mostram a dimensão do desafio. Entre os percursos registrados, Aélcio alcançou 123 quilômetros em 5 horas e 26 minutos, 66,9 quilômetros em 3 horas e 16 minutos e 107 quilômetros em 5 horas.

Para efeito de classificação, entretanto, foram considerados os números calculados pelo sistema XC Brasil, que resultaram nos 289,27 quilômetros acumulados utilizados no campeonato.

Um dos momentos mais marcantes ocorreu no segundo dia de competição. Aélcio chegou a ficar a aproximadamente 20 metros do solo, em uma situação na qual praticamente não havia mais condições de prosseguir.

Próximo ao pouso, porém, percebeu uma palmeira se movimentando e identificou a possibilidade de encontrar uma corrente de ar quente, conhecida como térmica.

O piloto decidiu insistir. Ao alcançar a região, conseguiu conectar a térmica e voltou a ganhar altitude. Durante a subida, enfrentou algumas movimentações bruscas da vela, mas manteve o controle e continuou o voo.

A recuperação foi fundamental para o resultado. Depois de voltar a atingir uma altitude segura, Aélcio prosseguiu e terminou aquele dia com o segundo maior voo da competição.

Equipamento é aliado, mas piloto é quem comanda

Nas conquistas de 2025 e 2026, Aélcio utilizou o mesmo parapente, o LT2, da Sol Paragliders.

O piloto destaca características como segurança, estabilidade, capacidade de planeio, velocidade e desempenho nas térmicas. Apesar disso, ressalta que o equipamento é apenas uma ferramenta e que o resultado depende principalmente das decisões tomadas durante o voo.

“O equipamento não voa sozinho. Ele vai onde eu peço para ele ir. Ele se comporta conforme eu comando.”, acrescentou.

Atualmente, Aélcio não possui representação oficial da fabricante e utiliza o equipamento como usuário, tendo construído ao longo dos anos uma relação de confiança com o parapente.

Voos de longa distância partindo de Lucas

Mesmo vivendo em uma região sem montanhas, o piloto encontrou formas de desenvolver o voo livre em Lucas do Rio Verde.

Por meio do sistema de reboque, já realizou um percurso de aproximadamente cinco horas até a região do Posto Gil, considerado por ele o maior voo da região em todas as categorias.

Para Aélcio, cada experiência no ar representa também uma oportunidade de aprendizado. O piloto mantém uma rotina de estudos, acompanha as condições meteorológicas e busca compreender cada vez melhor o comportamento da atmosfera para aperfeiçoar suas decisões durante os voos.

Apoio da família também fez parte da conquista

O bicampeonato conquistado em Conquista d’Oeste teve ainda um significado especial fora da competição.

A esposa de Aélcio acompanha a trajetória do piloto e costuma estar presente em voos e campeonatos. Para acompanhar a disputa deste ano, ela percorreu mais de 600 quilômetros depois de trabalhar durante toda a semana.

A viagem foi feita na companhia de uma amiga, enquanto os respectivos maridos participavam da competição.

Para Aélcio, ter a esposa ao lado em um momento tão importante tornou a conquista ainda mais especial.

Evento fortalece o voo livre na região

O XC Conquista d’Oeste também é resultado do trabalho de pessoas que ajudam a manter o voo livre ativo na região. Entre os nomes envolvidos na organização está Fernando Moraes, que participou da realização do evento e também esteve entre os pilotos inscritos.

A competição foi realizada na Rampa Paraíso com apoio da Prefeitura de Conquista d’Oeste e vem ganhando espaço no calendário nacional da modalidade.

A participação de atletas de diferentes estados brasileiros reforça a importância do evento para o cross country e contribui para colocar o município entre os destinos de destaque para os praticantes do voo livre.

O céu de Conquista d’Oeste foi cenário de mais uma grande disputa de voo livre entre os dias 13 e 16 de agosto.
O céu de Conquista d’Oeste foi cenário de mais uma grande disputa de voo livre entre os dias 13 e 16 de agosto. Nicolle Muraro I @ventonorteparaglider.

Temporada ainda não terminou

O bicampeonato em Conquista d’Oeste não encerra a temporada de Aélcio Barbosa Silva.

O piloto também participa do XC Amazônia, em Rondônia, onde ocupa atualmente a primeira colocação da categoria C, aguardando a definição final da competição.

Para o futuro, o objetivo é continuar evoluindo, dedicar mais tempo ao parapente, representar uma grande marca e conquistar reconhecimento nacional no esporte.

Enquanto concilia a paixão pelo voo com o trabalho, Aélcio segue construindo uma trajetória que já soma mais de uma década, com títulos, voos de longa distância e experiências em diferentes regiões do Brasil e também no exterior.

Depois de tantos anos no esporte, o objetivo continua sendo o mesmo: “não voar mais que os outros, mas voar cada vez melhor do que voou ontem”.

Fonte: cenariomt

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