A produção de cacau tem conquistado espaço de destaque no cenário agrícola de Mato Grosso, consolidando-se como uma importante alternativa para a diversificação de culturas e ampliação da renda no campo. Embora a atividade ainda mantenha forte concentração na região noroeste do estado, investimentos em pesquisa científica, assistência técnica especializada e capacitação vêm impulsionando novos plantios em diversas outras localidades.
Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o estado registrou uma produção de 471 toneladas de cacau, cultivadas em uma área total de 724 hectares. Os municípios de Juína, Cotriguaçu e Nova Bandeirantes figuram atualmente como os principais polos produtivos da commodity regional.
Expansão e suporte técnico na agricultura familiar
Iniciativas e projetos voltados à expansão da cacaucultura também avançam em cidades como Santo Antônio do Leverger, Campo Verde, Nobres, Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Barão de Melgaço, Alto Paraguai e Tangará da Serra, com o desenvolvimento de viveiros, implantação de jardins clonais e novas áreas de cultivo.
Para o coronel Paulo Selva, diretor de Projetos da Federação dos Agricultores Familiares de Mato Grosso (Fedaf MT), a cultura apresenta forte viabilidade econômica impulsionada pela demanda interna contínua por matéria-prima. Ele ressalta a importância das variedades desenvolvidas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), que permitem selecionar materiais genéticos adaptados às particularidades de clima e solo do estado.
Por se tratar de uma cultura perene com ciclo produtivo de longo prazo, o cacau integra-se com facilidade às atividades da agricultura familiar, embora exija rigor técnico. Fatores como escolha de clones, preparação e fertilidade do solo, irrigação, controle de pragas, podas e as etapas pós-colheita — como fermentação e secagem — determinam diretamente a qualidade do produto final.
Nesse cenário, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), por meio de sua Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), presta suporte contínuo nas propriedades. Atualmente, 31 produtores da região Norte mato-grossense recebem acompanhamento individualizado com foco em gestão, controle de custos e aumento de produtividade. Segundo Cristiani Bernini, supervisora da ATeG Fruticultura e Olericultura do Senar MT, o objetivo é transformar conhecimento técnico em rentabilidade sustentável.
Agregação de valor e Festival do Chocolate
A cadeia produtiva do cacau oferece diversas oportunidades de agregação de valor econômico. Enquanto a polpa é aproveitada na fabricação de sorvetes, geleias e bebidas, as amêndoas dão origem a nibs, cacau em pó e chocolates finos. Além disso, a manteiga de cacau atende aos mercados alimentício, cosmético e farmacêutico, e subprodutos como cascas são reaproveitados na produção de biofertilizantes e compostos orgânicos.
Toda essa diversidade poderá ser conferida pelo público durante o 8º Festival do Chocolate de Cuiabá, agendado para os dias 28, 29 e 30 de agosto, na Arena Pantanal, com funcionamento das 16h às 23h.
O Senar MT marcará presença no evento com a Trilha do Saber e Sabor, espaço interativo que demonstrará todas as etapas da cadeia produtiva, desde a lavoura até a transformação das amêndoas em chocolate, além de contar com a Feira Natural do Campo para comercialização de itens da agricultura familiar. De acordo com a organizadora Zilda Castanho, o evento integra pilares ambientais, sociais e econômicos, e o estande do Sistema Famato ainda abrigará serviços da Carreta dos Pequenos do Agro e do Mutirão Rural, oferecendo atendimentos de saúde à população.
Fonte: cenariomt





