O Brasil é considerado um modelo mundial no tratamento e acompanhamento de pacientes com HIV. No entanto, um recente relatório do UNAIDS alertou para o risco de um novo avanço da epidemia global caso haja queda nos investimentos em políticas de prevenção.
Segundo a médica especialista em medicina de família e comunidade, Isabela Chaves dos Santos, que atua no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Lucas do Rio Verde, a redução de recursos nessa área afeta diretamente a educação continuada e pode resultar no aumento de casos.
Estrutura de Atendimento Local
O município de Lucas do Rio Verde conta com um sistema consolidado para atender a população, dispondo de uma equipe multidisciplinar formada por médico, enfermeiro, assistente social, psicólogo e farmácia própria no local. O foco da unidade é garantir que o paciente não interrompa o tratamento e tenha acesso facilitado à proteção.
Serviços Gratuitos Disponíveis pelo SUS:
PrEP (Profilaxia Pré-Exposição): Medicação de uso contínuo destinada a pessoas com maior risco de contato com o vírus, servindo como uma barreira preventiva.
PEP (Profilaxia Pós-Exposição): Tratamento de 30 dias indicado para evitar a infecção após situações de risco, como exposição ocupacional na saúde ou relações sexuais desprotegidas.
Testagem Rápida: Exames disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e no próprio SAE, oferecidos durante o período da manhã (das 7h às 11h), sem necessidade de agendamento prévio.
Desafio do Diagnóstico Precoce
Por possuir uma população com perfil sazonal, a cidade recebe muitos pacientes de fora já em tratamento, mas também diagnostica frequentemente novas infecções. Até o final de julho deste ano, o município registrou 27 novos casos de HIV, sendo que sete deles ocorreram apenas no último mês. Atualmente, o SAE realiza o acompanhamento ativo de 483 pacientes com HIV e 181 com hepatite.
A detecção antecipada é crucial para o sucesso da terapia. Pacientes que descobrem o vírus precocemente e iniciam a medicação conseguem atingir a carga viral indetectável, o que impede a transmissão da doença e evita o surgimento de infecções oportunistas. Em contrapartida, quando o diagnóstico ocorre de forma tardia — às vezes durante internações hospitalares urgentes —, o sistema imunológico já se encontra severamente debilitado.
Preconceito como Barreira
O estigma social e o medo continuam sendo os maiores obstáculos no enfrentamento do HIV. O preconceito muitas vezes afasta as pessoas da testagem de rotina e gera negação ou resistência em buscar ajuda médica. Para assegurar o sigilo e a privacidade, o atendimento no SAE de Lucas do Rio Verde ocorre em um ambiente fechado e estritamente confidencial.
A recomendação clínica é que qualquer indivíduo com vida sexual ativa, multiplicidade de parceiros ou histórico de exposição desprotegida adote o uso de preservativos e procure a rede de saúde para realizar os testes rápidos regularmente.
Fonte: cenariomt





