As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil. Segundo a SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), elas são responsáveis por cerca de 400 mil mortes por ano, o equivalente a mais de 1.100 óbitos por dia. Grande parte desses casos está relacionada a fatores de risco que podem ser prevenidos ou controlados, entre eles o colesterol elevado.
Quando os níveis de colesterol, principalmente o LDL, permanecem altos por muito tempo, aumenta a formação de placas de gordura nas artérias. Esse processo, conhecido como aterosclerose, dificulta a passagem do sangue e eleva o risco de infarto, AVC (acidente vascular cerebral) e trombose.
Apesar de ser um problema comum, o colesterol ainda é cercado por desinformação. Veja o que a ciência já sabe.
1. Só quem está com sobrepeso tem colesterol alto
Mito. Embora obesidade e alimentação inadequada aumentem o risco, pessoas magras também podem apresentar colesterol elevado.
Em muitos casos, a causa é genética, como ocorre na hipercolesterolemia familiar. Além da herança genética, fatores como hipotireoidismo, doenças renais ou hepáticas, consumo excessivo de álcool, uso de anabolizantes e hábitos alimentares inadequados também favorecem o aumento do colesterol.
Como a alteração costuma não provocar sintomas, exames periódicos são importantes independentemente do peso corporal.
2. Ovo é o grande vilão do colesterol
Outro mito que já foi derrubado pela ciência. Hoje se sabe que o colesterol presente nos alimentos exerce impacto relativamente pequeno sobre os níveis de colesterol no sangue. Aproximadamente 70% a 80% do colesterol circulante é produzido pelo próprio fígado.
Os maiores responsáveis pela elevação do LDL são o consumo excessivo de gorduras saturadas, alimentos ultraprocessados, frituras, carnes processadas, bebidas açucaradas e carboidratos refinados.
Uma alimentação baseada em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes, ovos e carnes magras é uma boa maneira de controlar o nível de colesterol no sangue. Fontes de gorduras insaturadas, como azeite, abacate e castanhas melhoram o perfil lipídico e favorece o aumento do HDL, conhecido como “bom colesterol”.
3. Todo colesterol faz mal
Não. O colesterol é indispensável para o funcionamento do organismo. Ele participa da produção de hormônios, vitamina D, ácidos biliares e da estrutura das membranas das células.
O problema está no excesso de LDL, que transporta colesterol do fígado para os tecidos e pode favorecer seu acúmulo nas paredes das artérias. Já o HDL realiza o caminho inverso, removendo parte desse colesterol e levando-o de volta ao fígado, exercendo efeito protetor.
Quando o LDL elevado se associa a fatores como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo, cresce o risco de desenvolver aterosclerose.
4. Exercício físico reduz o colesterol ruim
Parcialmente verdade. A prática regular de atividade física é uma das principais estratégias para reduzir o risco de doenças cardiovasculares, mas seu efeito sobre o LDL costuma ser modesto.
O maior benefício ocorre pelo aumento do HDL e pela melhora de outros fatores importantes, como pressão arterial, controle da glicemia, peso corporal e inflamação.
Por isso, fazer exercícios não elimina a necessidade de manter uma alimentação equilibrada nem substitui o tratamento quando há indicação médica.
5. Crianças não precisam se preocupar
Mito. O colesterol alto pode aparecer em qualquer fase da vida, inclusive na infância. Casos de origem genética podem elevar os níveis de LDL desde os primeiros anos de vida.
Além disso, o aumento da obesidade infantil favorece alterações no colesterol e amplia o risco de doenças cardiovasculares no futuro. Incentivar hábitos saudáveis desde cedo continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenção.
6. Água de berinjela baixa o colesterol
Não há evidências científicas que comprovem esse efeito. Receitas caseiras frequentemente ganham popularidade nas redes sociais, mas nenhuma substitui medidas comprovadamente eficazes para controlar o colesterol.
As recomendações continuam as mesmas: alimentação rica em alimentos in natura, prática regular de atividade física, controle do peso, abandono do cigarro, consumo moderado de álcool e acompanhamento médico quando necessário. Em algumas pessoas, especialmente naquelas com predisposição genética, medicamentos também podem ser indispensáveis para reduzir o risco de infarto e AVC.
*Com informações de reportagem publicada em 08/08/2021.
Fonte: uol





