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Chocolate brasileiro feito no interior ganha destaque global

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2026

Depois de passar anos vendendo chocolates porta a porta, primeiro com uma bolsa térmica e depois com um carrinho de inox pelas ruas de Tangará da Serra, Audiley Freitas Sancoré, de 44 anos, tem agora a chance de ver seus produtos chegarem a outros países. A empreendedora está preparando a Chocoey Chocolates Artesanais para atender ao mercado internacional, após despertar o interesse de compradores do Canadá, Chile, Argentina e Bolívia.

A história começou muito antes do primeiro bombom. Natural de Cruzeiro do Oeste, no Paraná, Audiley mudou-se com a família para Tangará da Serra quando tinha 10 anos. Filha de trabalhadores rurais, aprendeu ainda na infância que todos precisavam contribuir dentro de casa.

Aos 14 anos, começou a trabalhar para ajudar na renda familiar. Foi babá, secretária do lar e balconista de lojas. Mesmo depois de conseguir um emprego com carteira assinada, a necessidade de complementar o orçamento continuava.

Por volta dos 20 anos, Audiley passou a produzir bolos, salgados e docinhos na cozinha de casa. Naquela época, o chocolate ainda não fazia parte dos planos. A mudança aconteceu durante as férias de seu último emprego como balconista de uma papelaria.

Ela participou de um evento em um shopping da cidade e, ao deixar o local, foi convidada para um programa de televisão. Como forma de agradecimento, levou docinhos de leite em pó para presentear a apresentadora.

Era período de Páscoa, e as pessoas começaram a perguntar se Audiley também produzia ovos de chocolate. Mesmo sem nunca ter trabalhado com o ingrediente, respondeu que sim.

Foi assim que tudo começou.

Com o aumento das encomendas, ela deixou de lado os bolos e salgados para concentrar a produção nos doces e chocolates. Trufas, bombons recheados e pequenas barras passaram a ocupar uma geladeira instalada no comércio do marido, onde os produtos eram separados por sabores.

Chocolates vendidos pelas ruas

No início, Audiley saía com uma bolsa térmica e oferecia os chocolates nos estabelecimentos comerciais da cidade. Depois, o marido mandou revestir uma caixa de isopor com inox, colocou rodas e personalizou o carrinho usado nas vendas.

O equipamento ajudou a ampliar o alcance dos produtos pelas ruas. Audiley também passou a participar de feiras locais como artesã, enquanto mantinha a produção dentro da própria casa.

O empreendedorismo nasceu da necessidade, mas cresceu à medida que ela percebia a aceitação dos clientes. “Vi que as pessoas valorizavam o meu trabalho e entendi que o chocolate poderia se tornar um propósito de vida”, afirma.

Em 2011, a empreendedora formalizou o negócio e abriu a primeira loja. O espaço funcionou durante cinco anos, ao lado do comércio do marido. Problemas de saúde, no entanto, fizeram com que Audiley interrompesse as atividades no local.

Ela voltou a comercializar os produtos no estabelecimento da família e instalou a fábrica em uma sala nos fundos. Mesmo diante das dificuldades financeiras e de saúde, continuou produzindo.

A fé, o apoio da família e a vontade de construir um futuro diferente foram fundamentais para que ela não desistisse. Atualmente, o marido e a filha também participam da rotina da empresa.

Nova fábrica e sabores de Mato Grosso

Agora, o espaço onde funcionou a antiga loja foi alugado novamente e está sendo preparado para receber uma fábrica e um showroom. A estrutura deve ser aberta nos próximos meses e permitirá ampliar a produção, receber clientes e apresentar os produtos.

A atual fábrica será destinada a uma nova linha de chocolates, que deve ser lançada ainda neste ano e não terá leite de origem animal. A família também possui um sítio onde pretende iniciar o cultivo de cacau.

Apesar do crescimento, Audiley afirma que a produção continuará artesanal. Os chocolates são fabricados sem conservantes, com o objetivo de preservar as características originais dos ingredientes.

Entre os diferenciais estão os sabores ligados a Mato Grosso, como o cumbaru, fruto típico do Cerrado e também presente na cultura alimentar do Pantanal.

Foi justamente a valorização dos ingredientes regionais que ajudou a chamar a atenção de compradores estrangeiros.

De Tangará da Serra para o mundo

A possibilidade de internacionalização ganhou força após a participação da empresa em uma rodada de negócios com representantes do Canadá, Chile, Argentina e Bolívia.

Para apresentar os produtos, Audiley precisou se preparar para exigências que vão além da fabricação dos chocolates. O processo envolveu adequações nas embalagens, elaboração de preços para exportação, apresentação comercial e organização das informações nutricionais.

“Nunca imaginei que um dia estaria apresentando nossos chocolates para compradores internacionais. Foi emocionante perceber o interesse de outros países pelos sabores que produzimos aqui em Mato Grosso”, conta.

As conversas ainda fazem parte do processo de aproximação com o mercado externo, mas representam uma mudança de perspectiva para quem começou produzindo na cozinha de casa apenas para complementar a renda.

O próximo objetivo é ampliar a capacidade de fabricação, fortalecer parcerias e conseguir distribuir os chocolates fora do Brasil sem abandonar a identidade regional.

Para Audiley, chegar ao mercado internacional significa mostrar que uma empresa do interior de Mato Grosso também pode produzir com qualidade e despertar o interesse de consumidores de outros países.

Capacitação ajudou a estruturar o negócio

A preparação para crescer começou ainda em 2011, quando Audiley formalizou a empresa com o apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae-MT).

Ao longo dos anos, ela participou de programas como Empretec, ALI Produtividade, Sebraetec, Inova Pantanal, PEIEX, Agro.BR e Sebrae Mulher de Negócios, além de consultorias, capacitações, missões técnicas e rodadas de negócios.

Em 2012, Audiley conquistou o primeiro lugar no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. As capacitações também contribuíram para aprimorar embalagens, processos de produção, gestão, posicionamento e planejamento comercial.

O Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) ajudou a empreendedora a compreender as exigências do comércio exterior e a se preparar para apresentar os produtos aos compradores internacionais.

Audiley afirma que o principal aprendizado dessa caminhada foi entender que uma empresa precisa continuar se aperfeiçoando, independentemente do tamanho que tenha alcançado.

“O empreendedor nunca pode parar de aprender. Inovação, planejamento e gestão são ferramentas essenciais para transformar sonhos em resultados”, conclui.

Fonte: primeirapagina

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