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Comer fígado de boi faz mal? Descubra os mitos e verdades sobre acumulação de toxinas!

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2026

Poucos alimentos dividem opiniões como o fígado. Enquanto uma parte das pessoas é fã da iguaria, outra torce o nariz só de ouvir falar. Boa parte da rejeição vem da crença de que o órgão funciona como um depósito de toxinas do animal, o que tornaria seu consumo arriscado. A ciência, no entanto, desmente essa ideia.

O fígado não armazena substâncias nocivas. Pelo contrário, sua função é justamente processá-las para desintoxicar o organismo. Tudo o que o animal consome —alimento, remédio ou qualquer substância— passa primeiro pelo trato gastrointestinal e chega ao fígado pela corrente sanguínea.

Lá, as células do órgão metabolizam e inativam o que for necessário, e o sangue já filtrado segue para o coração, de onde é distribuído pelo corpo. O que sobra é eliminado pela urina e pelas fezes.

Esse mecanismo, porém, depende da saúde do animal. Bichos expostos com frequência a poluentes ambientais, resíduos industriais, antibióticos, hormônios ou alimentos contaminados com metais pesados podem ter o fígado sobrecarregado, incapaz de dar conta da desintoxicação completa.

Nesses casos, o órgão pode chegar ao mercado com excesso de toxinas —daí a importância de comprar de fontes confiáveis, preferencialmente de criação orgânica.

Um concentrado de nutrientes

Quando o animal está saudável, o fígado guarda outra coisa: nutrientes essenciais. É rico em vitaminas A e do complexo B, ferro e proteínas de alta qualidade, elementos que ajudam a reduzir inflamações, produzir aminoácidos, prevenir anemia, fortalecer a imunidade e a visão, e manter a pele saudável.

Mas o consumo exige alguns cuidados. Quem tem gota ou outras condições ligadas ao excesso de ácido úrico precisa consumir com moderação, já que o alimento é rico em purina, substância que se transforma em ácido úrico no organismo.

Há ainda relatos, embora com evidências científicas limitadas, de que o consumo excessivo de vitamina A pode causar sonolência, dores de cabeça e nas articulações e vômitos. Grávidas merecem atenção redobrada, principalmente no primeiro trimestre, período em que o excesso da vitamina pode prejudicar o desenvolvimento do feto.

Para dimensionar: uma porção de 100 gramas de fígado bovino cru tem 7.937 microgramas de vitamina A, segundo a TBCA (Tabela Brasileira de Composição de Alimentos), enquanto o consumo diário recomendado é de 900 mcg para homens adultos e 700 mcg para mulheres.

Quanto e como consumir

Especialistas são unânimes: o fígado pode ser consumido até por quem tem colesterol alto, doenças cardíacas ou gota, desde que o médico responsável pelo acompanhamento não imponha restrições específicas. O segredo está na moderação: a recomendação é de 100 g a 250 g por semana, dentro de uma dieta equilibrada.

Para evitar contaminação, o alimento nunca deve ser consumido cru. O preparo deve ser sempre cozido, frito ou grelhado. Na hora da compra, vale observar a aparência da carne, que deve ser fresca, com coloração escura (amarronzada) e brilho. Tons amarelados e aspecto opaco são sinais de que o produto não deve ser levado para casa.

*Com informações de reportagem publicada em 04/04/2023.

Fonte: uol

 

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