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Roupas indígenas de MT trazem estampas de folhas de planta medicinal

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2026

Uma coleção produzida por mulheres indígenas do povo Haliti-Paresi foi um dos grandes destaques do lançamento da Feira Internacional de Turismo Etno Brasil (FIT Etno Brasil) 2026, realizado em Campo Novo do Parecis (MT). Confeccionadas com impressão botânica, grafismos tradicionais e acessórios artesanais, as peças levaram à passarela elementos da ancestralidade indígena aliados à moda contemporânea.

Quem apresentou a coleção foi Hayka Pareci, rainha de Campo Novo do Parecis 2025/2026 e filha do cacique Rony Walter. Vestindo um conjunto confeccionado com folhas de negramina (planta que, segundo a tradição Haliti-Paresi, simboliza cura e bem-estar), a jovem representou a cultura de seu povo diante do público que participou do lançamento da feira.

Mais do que um desfile, a apresentação foi uma oportunidade para mostrar que a cultura indígena também se expressa por meio da moda. Segundo Hayka, cada peça carrega histórias, pinturas corporais e significados que ajudam a contar a identidade do povo Haliti-Paresi.

Peças artesanais uniram tradição e moda contemporânea no desfile. – Vídeo : Reprodução/Instagram

Folhas, grafismos e artesanato

As roupas foram produzidas por Valdirene Avelino, mãe de Hayka, que desenvolve peças utilizando a técnica de impressão botânica, um processo de tingimento natural feito a partir de folhas.

Valdirene Avelino produz estampas com a técnica de impressão botânica. – Vídeo: Reprodução/Instagram

Além dos tecidos estampados naturalmente, a coleção reúne bolsas com grafismos inspirados nas pinturas corporais Haliti-Paresi, colares e brincos confeccionados artesanalmente por mulheres indígenas da comunidade.

Hayka explica que o conjunto usado por ela foi produzido com folhas de negramina, escolhidas pelo significado de cura e bem-estar. Para a jovem, cada detalhe vai além da estética e ajuda a preservar conhecimentos transmitidos entre gerações.

Moda como forma de preservar a cultura

Acostumada desde criança a receber turistas nas aldeias e apresentar a cultura Haliti-Paresi, Hayka afirma que subir à passarela foi uma extensão desse trabalho. Segundo ela, o objetivo é mostrar uma realidade que muitas pessoas ainda desconhecem.

Ela diz que faz questão de combater a visão estereotipada sobre os povos indígenas e mostrar que “ser indígena vai muito além do que as pessoas costumam ver nos livros de história”. Para a jovem, tradição e modernidade podem caminhar juntas sem que a identidade cultural seja perdida.

Detalhes das peças revelam técnicas e grafismos tradicionais indígenas. – Vídeo: Reprodução/Instagram

Hayka também destaca que os indígenas estudam, trabalham e desenvolvem atividades ligadas ao turismo, à produção artesanal e ao agronegócio, mantendo vivas as tradições da comunidade. “O indígena pode estudar, trabalhar e construir um futuro dentro da aldeia”, resume.

Etnoturismo em destaque

Na avaliação da jovem, a FIT Etno Brasil é uma vitrine para apresentar ao Brasil a riqueza cultural do povo Haliti-Paresi e fortalecer o etnoturismo em Campo Novo do Parecis.

Segundo ela, além das paisagens naturais, quem visita a região encontra experiências de imersão na cultura indígena, como apresentações de cantos, danças, rituais, gastronomia e visitas às cachoeiras de águas cristalinas existentes no território.

“Estamos de portas abertas para todos conhecerem nossa cultura contemporânea”, afirma.

Orgulho das origens

Filha do cacique Rony Walter e da professora e artesã Valdirene Avelino, Hayka cresceu participando das atividades culturais e da recepção de visitantes nas aldeias Haliti-Paresi. Ela atribui aos pais a inspiração para seguir trabalhando pela valorização da cultura indígena.

Hoje, divide a rotina entre os estudos, as atividades com turismo e os eventos de representatividade. Embora nunca tenha imaginado ser reconhecida dessa forma, afirma que cada oportunidade representa uma forma de dar visibilidade ao seu povo.

Para Hayka, ser Haliti-Paresi significa carregar uma história ancestral que continua viva por meio dos cantos, das pinturas, do artesanato e das tradições compartilhadas com as novas gerações e com os visitantes que chegam para conhecer a cultura indígena.

Fonte: primeirapagina

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