O chá de alecrim ganhou fama nas redes sociais por supostos efeitos sobre o emagrecimento, a memória e a digestão, mas o que a ciência realmente sabe sobre a bebida?
Usada há séculos na culinária e na medicina tradicional, a erva é rica em compostos antioxidantes e anti-inflamatórios, como polifenóis, flavonoides e terpenos fenólicos. A maior concentração dessas substâncias está nas folhas, que são a parte mais indicada para o preparo do chá.
Apesar do interesse crescente, os especialistas fazem um alerta: a maior parte das pesquisas sobre os benefícios do alecrim foi realizada em animais ou em laboratório. Estudos com seres humanos ainda são limitados.
O chá de alecrim ajuda a emagrecer?
A resposta curta é: não diretamente. Nenhum alimento ou bebida isolada é capaz de provocar perda de peso. O que existe são evidências preliminares de que compostos presentes no alecrim podem influenciar processos relacionados ao metabolismo.
Pesquisas com animais mostraram que o ácido carnósico, encontrado no extrato da planta, foi capaz de modificar a microbiota intestinal de ratos com obesidade. Nessas pesquisas, a alteração das bactérias intestinais ocorreu junto com redução do peso corporal, levantando a hipótese de um possível efeito metabólico e prebiótico.
Por enquanto, porém, esses resultados não podem ser extrapolados para humanos.
Os benefícios mais promissores
Embora a fama do emagrecimento seja questionável, o alecrim apresenta outras propriedades que vêm despertando o interesse dos pesquisadores.
Entre elas está o auxílio à digestão. Estudos experimentais apontam aumento da produção de enzimas digestivas, enquanto a Farmacopeia Brasileira [código oficial farmacêutico do país] reconhece o uso da planta como auxiliar no alívio da má digestão e de desordens espasmódicas leves, como constipação e diarreia.
Pesquisas também sugerem possíveis efeitos sobre o sistema nervoso. Em estudos com animais, compostos do alecrim demonstraram potencial neuroprotetor e efeitos relacionados à redução da ansiedade. Um pequeno estudo com universitários encontrou melhora no desempenho da memória e redução de sintomas de ansiedade e depressão, mas os dados ainda são insuficientes para conclusões definitivas.
Outros experimentos indicam possível ação protetora para o fígado, associada à capacidade antioxidante da planta. Em modelos animais de cirrose, extratos das folhas ajudaram a reduzir danos hepáticos.
A erva também apresentou efeitos analgésicos em pesquisas com roedores. Compostos como os ácidos ursólico e oleanólico reduziram a percepção da dor, possivelmente por interação com receptores envolvidos no controle da dor.
Na pele, o potencial antioxidante e anti-inflamatório do alecrim tem sido estudado como auxiliar na cicatrização e no tratamento de algumas inflamações cutâneas. Ainda assim, ele não substitui tratamentos médicos quando há doenças dermatológicas.
Como preparar o chá
O preparo é simples: basta adicionar cerca de uma colher de sopa de ramos de alecrim —folhas e hastes— a uma xícara de água quente e deixar em infusão por 5 a 10 minutos.
Quanto maior o tempo de infusão, maior tende a ser a extração dos compostos responsáveis pelo aroma, sabor e propriedades bioativas da planta.
Para aproveitar melhor a bebida, a recomendação é consumi-la sem açúcar ou adoçantes.
*Com informações de reportagem publicada em 30/11/2021.
Fonte: uol





