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Urna gigante de pedra no Laos revela sepultura com restos mortais de 37 pessoas

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2026

O Laos, um país do Sudeste Asiático que faz fronteira com a Tailândia, o Vietnã e a China, é conhecido por suas belas montanhas e por seus impressionantes achados arqueológicos. Entre eles, estão milhares de recipientes gigantes de pedra, construídos há muitos séculos por um povo misterioso, cuja função ainda não é totalmente compreendida pela ciência.

Por mais de um século, esse mistério intrigou historiadores. Para alguns arqueólogos, esses “potes” gigantes funcionavam como urnas de sepultamento coletivo. Mas, segundo tradições locais, os recipientes eram usados para preparar vinho de arroz. 

Agora, um novo estudo publicado por uma colaboração internacional de cientistas no periódico Antiquity traz a primeira evidência concreta de que essas urnas tinham, de fato, um papel funerário.

A pesquisa analisou a famosa Planície dos Jarros, descoberta por pesquisadores na década de 1930. O sítio arqueológico reúne mais de 2 mil recipientes de pedra, com alturas que variam de um a três metros, espalhados por cristas, encostas de montanhas e outras áreas da paisagem [veja na foto acima].

Arqueólogos já encontraram joias, fragmentos de vidro e restos humanos nas proximidades dessas estruturas. Porém, nenhum vestígio claro havia sido encontrado dentro das urnas.

Os pesquisadores focaram em uma urna específica, com mais de um metro de altura e cerca de dois metros de largura, que possuía sedimentos acumulados em seu interior. A peça foi esculpida em uma rocha sedimentar de grão grosso, um material não tão disponível na região.

A equipe decidiu escavar para tentar descobrir, de uma vez por todas, o que essas urnas guardavam. Foram realizadas três expedições de campo. O resultado? Restos mortais de pelo menos 37 pessoas – e nenhum sinal de vinho.

Vista aérea de uma cova rasa e circular, contendo numerosos ossos humanos fragmentados e espalhados em solo escuro, com uma régua de medição vermelha e branca no canto superior direito
(© The Author(s), 2026. Published by Cambridge University Press on behalf of Antiquity Publications Ltd/Divulgação)

O achado indica que a estrutura funcionava como uma verdadeira cripta coletiva. Trata-se da primeira evidência concreta de uma urna desse tipo contendo restos humanos preservados em seu interior.

Entre os ossos havia indivíduos de diferentes idades, de bebês a adultos. Ainda não há informações sobre possíveis laços de parentesco entre eles, pois as análises de DNA estão em andamento. A urna, chamada pelos pesquisadores de Jar 1 (Vaso 1), ganhou o apelido de death jar (“vaso da morte”).

A datação de carbono indicou que o local foi utilizado como sepultura durante cerca de 270 anos, entre os séculos 9 e 12. Isso significa que a urna recebeu sepultamentos ao longo de diversas gerações, começando há aproximadamente 1.200 anos. Não é possível datar a urna em si, por isso, não há informações sobre quando ela foi construída.

Os ossos apresentavam uma organização curiosa. Os crânios estavam posicionados ao redor da borda da urna, enquanto os fêmures apareciam em posição transversal. Os arqueólogos concluíram que os restos mortais não foram simplesmente jogados e misturados ali de forma aleatória.

A principal hipótese é que essa população praticava um sepultamento em duas etapas. Após a morte, o corpo seria colocado em outro local para passar pelo processo de decomposição. Uma das possibilidades é que essa primeira etapa também ocorresse em recipientes de pedra. Depois de um bom tempo, os ossos eram transferidos e organizados na urna, em um segundo ritual funerário. 

Três imagens de escavação arqueológica: à esquerda, uma cova retangular com terra e artefatos redondos; acima à direita, vasos de cerâmica parcialmente enterrados; abaixo à direita, uma seção transversal do solo com pedras e camadas de terra, com uma régua de medição vertical
(© The Author(s), 2026. Published by Cambridge University Press on behalf of Antiquity Publications Ltd/Divulgação)

Além dos restos humanos, os arqueólogos encontraram ferramentas de ferro, peças de cerâmica e objetos de cobre e vidro. Alguns desses materiais vieram da Índia e da Mesopotâmia, mostrando uma ampla rede de comércio na região, que ainda precisa ser estudada mais profundamente.

A nova pesquisa está longe de resolver todos os mistérios dessa civilização. Os cientistas acreditam que ainda existam muitos vestígios ocultos e pouco explorados na região.

Quanto ao tamanho excepcional das urnas, os pesquisadores suspeitam que elas possuíam uma importância ritual especial, mas ainda não é possível afirmar se estavam associadas a status social. Também permanece sem resposta o motivo dos recipientes espalhados por áreas tão amplas da paisagem.

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

Jornalista DRT 0003133/MT - O universo de cada um, se resume no tamanho do seu saber. Vamos ser a mudança que, queremos ver no Mundo