Lifestyle

Princesas do Egito Antigo: Desvendando o Papel de Guerreiras na História

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

A realeza feminina do Egito Antigo não estava circunscrita às atividades religiosas e à diplomacia, como se pensava. Um estudo publicado na última sexta-feira, 17, encontrou evidências que sugerem que princesas egípcias do período de 1850–1700 a.C usavam e dominavam armas como arcos, flechas e adagas.

Seus restos mortais apresentaram sinais de suas vivências. Os membros superiores bem desenvolvidos, por exemplo, sugerem que elas realizavam ações repetitivas e de alta intensidade, compatíveis com o tiro com arco e o uso de armas. O uso contínuo da musculatura também levou a alterações visíveis no espessamento de seus ossos. 

Na verdade, arqueólogos já tinham descoberto que a elite era sepultada ao lado de armas: em 1894, restos mumificados de princesas foram escavados em Dashur, uma das necrópoles (famosos cemitérios construídos para garantir a vida após a morte) da elite egípcia. Acontece que, durante muito tempo, os itens foram interpretados como meros símbolos de seu status ou como equipamentos utilizados em rituais funerários. 

Todas essas múmias acabaram no subsolo do Museu Egípcio, onde ficaram sem ser examinadas por mais de um século. Em 2020, os restos mortais foram redescobertos e, por fim, analisados. Esses resultados foram publicados na revista Frontiers in Environmental Archaeology.

Europeus comiam múmias na Idade Média

Os indivíduos foram identificados como Princesa Ita, Princesa Khenmet, Princesa Itaweret,  filhas do faraó Amenemhat II, da 12ª Dinastia do Egito Antigo (1991–1802 a.C.) – período de auge do Império. Havia ainda a Princesa Noub-Hotep, que provavelmente tinha algum grau de parentesco com as outras e uma mulher desconhecida, suspeita de ser a Princesa Sathathormeryt.  

Dominando as armas 

Quando a equipe de arqueólogos redescobriu os restos mortais, muitos dos ossos estavam embrulhados em jornais do início dos anos 1900 e ainda tinham as etiquetas originais fixadas pelos escavadores. 

Logo, eles perceberam que os crânios das princesas se perderam no início do século 20. 

“Os corpos mumificados encontrados nas escavações de Dahshur apresentavam, em geral, um processo de mumificação deficiente em comparação com os exemplares tebanos posteriores. Nesses sepultamentos, a carne frequentemente se decompunha, transformando-se em uma substância semelhante a uma resina marrom que se desintegrava em pó ao toque, deixando os ossos à mostra”, explicam os pesquisadores no artigo. 

A esperança dos pesquisadores estava nos outros ossos. Eles os acharam em bom estado, o que permitiu que estimassem a idade, a estatura e o sexo das mulheres no momento da morte, além de descobrir indícios de doenças ou lesões.

Assim, arqueólogos puderam observar três principais características nos restos mortais: estresse fisiológico, lesões e a validação de práticas rotineiras, graças às marcas repetitivas nos ossos. A Princesa Nub-Hotep, por exemplo, tinha alterações esqueléticas que se alinham com a presença de flechas em seu sepultamento. O estresse fisiológico, no seu caso, foi provocado pela repetição de movimentos.

Os ossos também mostraram sinais de lesões que, segundo os pesquisadores, foram causadas por atividades de alto impacto, como caça ou treinamento militar. 

Mais marcante, talvez, sejam as marcas da atividade habitual. A Princesa Ita parece ter tido fortes músculos nas mãos, desenvolvidos por anos empunhando armas como adagas. Enquanto isso, a princesa Itaweret apresentava os ossos do antebraço mais espessos, o que pode ter resultado do ato repetido de puxar e estabilizar um arco. 

Outro detalhe também chama a atenção: as princesas apresentavam esqueletos com anomalias espinhais congênitas. Para pesquisadores, esses marcadores biológicos apoiam a existência de consanguinidade, ou endogamia, dentro da linhagem real da 12ª Dinastia egípcia. 

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

Jornalista DRT 0003133/MT - O universo de cada um, se resume no tamanho do seu saber. Vamos ser a mudança que, queremos ver no Mundo