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Projeto de Lei propõe rede no SUS para combater automedicação com canetas emagrecedoras e diminuir despesas com obesidade em Mato Grosso

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2026

A febre do uso indiscriminado de fármacos sintéticos para a perda rápida de peso acendeu o sinal vermelho nos órgãos de controle sanitário do estado. A popularização de terapias baseadas em análogos de GLP-1, como a Tirzepatida e a Semaglutida, gerou uma onda de automedicação sem critérios clínicos no mercado mato-grossense, transformando o que deveria ser um tratamento de saúde em uma busca puramente estética e perigosa.

Para tentar conter o avanço desse cenário epidemiológico e estruturar o atendimento público, tramita na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei nº 615/2026. A proposta legislativa, de autoria do deputado Chico Guarnieri (PSDB), prevê a implantação de uma rede de governança, monitoramento e suporte clínico especializado dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) para orientar e tratar pacientes diagnosticados com obesidade de forma segura.

Gasto anual com complicações da obesidade chega a R$ 25,8 milhões na rede pública de MT

A justificativa técnica do projeto apoia-se em relatórios de impacto financeiro e de saúde. Estimativas apontam que entre 28% e 36% da população adulta de Mato Grosso convive com o excesso de peso crônico. Atualmente, os custos anuais para tratar complicações associadas à falta de acompanhamento precoce — como diabetes tipo 2 e patologias cardiovasculares severas — consomem cerca de R$ 25,8 milhões dos cofres públicos estaduais. Além disso, cada cirurgia bariátrica realizada no Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, custa aproximadamente R$ 21 mil aos cofres do Estado.

A rede proposta pelo parlamentar visa justamente interceptar o paciente antes da necessidade de procedimentos cirúrgicos complexos ou do desenvolvimento de comorbidades graves. O texto autoriza a criação do Fundo de Combate à Obesidade do Estado (FCOE), que centralizará dotações orçamentárias, emendas parlamentares, repasses federais e doações da iniciativa privada para custear equipes multidisciplinares compostas por médicos endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos nas unidades municipais.

Os critérios de triagem e os protocolos de atendimento estabelecidos no projeto incluem:

  • Alvos Prioritários: Atendimento imediato a pacientes com obesidade severa (IMC igual ou superior a 40) ou IMC acima de 35 com comorbidades;
  • Carência Farmacológica: Obrigatoriedade de seis meses de tratamento natural (reeducação alimentar e exercícios) antes de qualquer receita de remédios;
  • Acompanhamento Integrado: Consultas psicológicas periódicas para tratar transtornos alimentares associados à ansiedade;
  • Prazo de Regulamentação: Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) terá 180 dias para publicar o protocolo clínico oficial após a sanção.

Fundo estadual vai centralizar recursos e priorizar pacientes com IMC acima de 40

O deputado Chico Guarnieri argumenta que a medida protege a saúde da população da propaganda enganosa e das redes de comércio clandestino de receitas, além de garantir a responsabilidade fiscal do governo. O parlamentar reforça que a obesidade precisa parar de ser tratada como um desvio estético e passar a ser encarada como uma patologia crônica e multifatorial que exige responsabilidade terapêutica.

Com a implantação da rede de governança, o fornecimento ou a recomendação de qualquer terapia medicamentosa no SUS passará por auditoria rígida, evitando que o erário público financie o uso supérfluo das chamadas “canetas emagrecedoras”. O protocolo clínico oficial da SES-MT passará por revisões obrigatórias a cada dois anos para inclusão de novas evidências científicas e atualização de metas de eficiência orçamentária no interior do estado.

Raio-X do Impacto da Obesidade em MT Indicadores e Custos do Sistema (2026)
Prevalência na População Adulta Entre 28% e 36% dos cidadãos adultos
Custo Anual de Complicações R$ 25,8 milhões (Diabetes e cardiopatias)
Custo Unitário da Bariátrica (Várzea Grande) Cerca de R$ 21 mil por procedimento cirúrgico
Mecanismo Financeiro Proposto Criação do Fundo de Combate à Obesidade (FCOE)

O avanço do debate sobre a regulamentação do tratamento da obesidade na ALMT joga luz sobre o abismo existente entre o uso fútil de compostos caros pela classe alta e o desamparo de pacientes de baixa renda que sofrem com as sequelas metabólicas nos hospitais públicos, evidenciando que a criação de uma rede multiprofissional no SUS pode humanizar o atendimento e poupar milhões de reais em cirurgias, embora críticos alertem que a burocracia do protocolo de seis meses pode retardar o socorro a quem necessita de intervenção urgente. Você considera que o SUS em Mato Grosso deve financiar e distribuir gratuitamente medicamentos modernos como a Semaglutida para pacientes de baixa renda com obesidade grave, ou acredita que o foco financeiro do Estado deve permanecer exclusivamente na prevenção básica, na contratação de nutricionistas e no incentivo à prática de atividades físicas nas comunidades? Deixe sua opinião nos comentários.

Fonte: cenariomt

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