Nesta sexta-feira (15), Várzea Grande comemora 159 anos e o Primeira Página relembra a história da tradicional casa de shows O Galpão, que ficava localizada na Avenida Dom Orlando Chaves, no bairro Cristo Rei, e que encerrou as atividades em 2022, após mais de 30 anos de funcionamento.
Atualmente, o espaço funciona como estacionamento de uma igreja evangélica, mas o local ficou marcado por ajudar na popularização do lambadão, ritmo considerado símbolo cultural da cidade.
Segundo o presidente do Instituto Digoreste e coordenador do grupo de dança Lambadeiros de Elite, Vlademir Reis, o fechamento da casa impactou diretamente a cena do lambadão. De acordo com ele, os eventos perderam qualidade após o encerramento das atividades do Galpão, principalmente pela falta de um espaço amplo capaz de reunir centenas de fãs do ritmo.
“O Galpão oferecia muito conforto. Era um espaço muito amplo. A casa era, enfim, em todos os aspectos, muito confortável. Hoje em dia, as outras casas que têm são muito pequenas e não cabem 1.200 pessoas. Lá no Galpão, já teve eventos de lambadão com média de 5 a 8 mil pessoas”, disse ao Primeira Página.
Antes d’O Galpão, existia o antigo Canecão no bairro Praeirinho, em Cuiabá, mas que encerrou as atividades e toda a cadeia do lambadão ficou centrada na casa de shows várzea-grandense.
De ex-garçom a referência do ritmo
Vlademir Reis acompanhou de perto a ascensão d’O Galpão como principal palco do lambadão em Várzea Grande. Antes de se tornar dançarino, lá no ano de 2002, ele trabalhou como garçom da casa entre 1998 e 2002. Segundo Vlademir, foi justamente no período em que trabalhava n’O Galpão que passou a se aproximar mais da dança e do cenário do lambadão.
Ele afirma que O Galpão teve papel decisivo na popularização do lambadão, reunindo nomes importantes do gênero, como Chico Gil, além de bandas, grupos de dança e grandes públicos nos tradicionais encontros de lambadeiros.
“Bastantes coisas boas que aconteceram lá. Oportunidades para bandas novas que foram surgindo, grupos de dança. Sempre tinha n’O Galpão o ‘encontro de lambadeiros’ toda sexta-feira, mas às vezes tinha uns eventos que ele fazia que eram muito maiores”, relembrou o dançarino e professor de lambadão.
Segundo pesquisadores do ritmo, o lambadão surgiu em Poconé (MT) por meio da mistura dos ritmos lambada, carimbó paraense e rasqueado. Mas foi nos bairros periféricos de Várzea Grande, nos quintais de casa, bares e restaurantes que o ritmo se popularizou e hoje se tornou patrimônio cultural e imaterial de Mato Grosso. No entanto, o reconhecimento só ocorreu após muita resistência e preconceito contra o ritmo.
Locais que resistem
Após o fechamento d’O Galpão, alguns locais em Várzea Grande resistem, mantendo viva a cultura do lambadão. Conforme Vlademir, alguns dos locais são a Residência da Dona Ana no Bairro Jardim Glória e a Residência do Gonçalo Godoy no Jardim Eldorado.
Também existem outras casas noturnas que apenas promovem festas com bandas de lambadão, como o Seu Francisco, no bairro Porto, e o Top Mais Pub, no CPA, ambas em Cuiabá.
Reconhecimento
O lambadão passou a ganhar reconhecimento em 2018 com uma lei aprovada pela Câmara Municipal de Várzea Grande, que reconheceu o ritmo como patrimônio cultural imaterial da cidade e instituiu o Dia do Lambadão.
Já em 2019, uma legislação estadual também reconheceu o lambadão como movimento cultural de Mato Grosso. Segundo Vlademir Reis, um dos articuladores das propostas, as leis ajudaram no combate ao preconceito enfrentado pelo gênero ao longo dos anos.
Fonte: primeirapagina




