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Várzea Grande: 159 anos de história com pioneiros e personagens marcantes

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2026

Várzea Grande completa 159 anos nesta sexta-feira (15), com uma trajetória marcada por personagens que ajudaram a construir a identidade da cidade. Fundada em 1867, durante a Guerra do Paraguai, a origem do município está ligada ao general José Vieira Couto de Magalhães, considerado o fundador da cidade.

Ele teve papel importante na organização das tropas que partiram de Mato Grosso para a retomada de Corumbá, ocupada por paraguaios. Parte dos militares e prisioneiros permaneceu na região da Grande Várzea, às margens do rio Cuiabá, dando origem ao povoado.

Com o passar dos anos, a antiga vila foi crescendo e ultrapassando um tempo em que não havia energia elétrica, asfalto, água encanada e a travessia até Cuiabá era feita por balsa. A inauguração da primeira ponte de cimento armado sobre o rio Cuiabá, em 1942, mudou a rotina da população e impulsionou o desenvolvimento da cidade. A partir daí, Várzea Grande passou a se integrar mais à capital e a crescer como polo comercial e urbano.

A história do município também está nas ruas e avenidas. A Avenida Couto Magalhães, hoje uma das mais importantes da cidade, já foi estrada boiadeira e depois se transformou em centro comercial. Outras vias, como a Avenida da FEB, Filinto Muller, Alzira Santana, Júlio Campos e Ulisses Pompeo de Campos, acompanharam o avanço da cidade e ajudaram a ligar bairros, escolas, comércios, órgãos públicos e áreas industriais.

Entre os personagens que marcaram Várzea Grande está Ubaldo Monteiro, poeta, jornalista, escritor, historiador e coronel da Polícia Militar. Ele dedicou parte da vida a registrar fatos, datas, famílias, ruas e tradições da cidade. Era conhecido por anotar tudo em cadernos e por defender que um povo precisava conhecer a própria história. Suas obras ajudaram a preservar a memória várzea-grandense.

Outra figura importante foi Sarita Baracat de Arruda, professora e primeira mulher eleita prefeita de Várzea Grande. Ela venceu uma eleição em uma época em que a presença feminina na política ainda enfrentava forte resistência. Durante sua administração, entre 1967 e 1970, a cidade avançou em áreas como iluminação pública e abastecimento de água. Sarita também foi vereadora e deputada estadual.

A cidade também foi formada por comerciantes e moradores conhecidos pelo convívio popular. Bugrelo, ou João Cassiano Botelho, foi um dos personagens mais folclóricos de Várzea Grande. Dono de um bolicho no tradicional Beco do Porrete, reunia políticos, moradores e “analistas” da vida alheia em rodas de conversa. O local ficou conhecido como ponto de encontro para debates políticos, fofocas, causos e brincadeiras.

Outro nome lembrado é Dona Rita Monteiro, uma das primeiras comerciantes da cidade. Ao lado do marido, manteve um bolicho na Avenida Couto Magalhães, vendendo de tudo, de alimentos a produtos agrícolas. Ela acompanhou a chegada da energia elétrica, do asfalto e o crescimento da cidade, além de manter viva a tradição das redes artesanais, uma das marcas culturais de Várzea Grande.

A cultura também aparece na história das redes cuiabanas, especialmente produzidas por tecelãs de Limpo Grande. A atividade, passada de geração em geração, se tornou símbolo da identidade local e fonte de renda para muitas famílias. O trabalho artesanal exige tempo, habilidade e dedicação, podendo levar até 30 dias ou mais para a produção de uma peça.

Aos 159 anos, Várzea Grande celebra uma história construída por militares, comerciantes, professores, artesãos, políticos, moradores antigos e personagens populares. Das balsas às pontes, dos bolichos às avenidas movimentadas, dos teares às grandes obras, a cidade carrega memórias que ajudam a explicar a força da atual Cidade Industrial.

Fonte: primeirapagina

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