O avanço da inteligência artificial e seus impactos no ambiente eleitoral estiveram no centro de um debate promovido pelo Ministério Público de Mato Grosso, reunindo especialistas para discutir como o uso dessas ferramentas pode influenciar a formação de opinião e quais estratégias podem ser adotadas para conter a desinformação.
Realizado no Espaço MP Por Elas, no Pantanal Shopping, o encontro integrou o projeto “Diálogos com a Sociedade” e colocou em pauta um dos principais desafios contemporâneos: a velocidade com que conteúdos — verdadeiros ou não — circulam no ambiente digital, especialmente em períodos eleitorais.
Durante a conversa, os participantes destacaram que a desinformação vai além de conteúdos falsos. Informações verdadeiras, quando retiradas de contexto ou manipuladas, também podem distorcer a realidade e influenciar decisões. “Fake news não é só a mentira descarada; é também a verdade fora de contexto. Nosso maior receio é não conseguirmos dar as respostas com a mesma velocidade que a mentira se espalha”, alertou o promotor de Justiça Mauro Poderoso de Souza.
Tecnologia amplia alcance, mas também os riscos
Do ponto de vista técnico, o uso da inteligência artificial tem potencial para sofisticar estratégias de manipulação. Ferramentas capazes de alterar vídeos, áudios e imagens tornam mais difícil para o cidadão identificar conteúdos falsos, aumentando o risco de influência indevida sobre o eleitorado.
O analista de inteligência cibernética Kembolle Amilkar de Oliveira explicou que essas práticas podem envolver técnicas de persuasão em larga escala. “Existe uma técnica chamada operação psicológica, que é uma manobra de persuasão em massa. Usando IA, é possível fazer manipulações que influenciam a tomada de decisão do eleitor”, afirmou, ressaltando a importância da educação digital como ferramenta de defesa da sociedade.
Uso responsável da IA e fiscalização eleitoral
Apesar dos riscos, a inteligência artificial também pode contribuir positivamente para o fortalecimento da democracia, desde que utilizada com transparência. O promotor de Justiça Daniel Carvalho Mariano destacou que o uso responsável da tecnologia pode ampliar o acesso à informação e equilibrar oportunidades, desde que haja clareza sobre a origem dos conteúdos.
Nesse sentido, o Ministério Público trabalha no desenvolvimento de ferramentas que auxiliem a população na verificação de informações. A proposta inclui o acesso facilitado, por meio de QR Codes e links encurtados, a plataformas que permitam checar a autenticidade de imagens, vídeos e notícias.
Internamente, o uso da tecnologia já contribui para otimizar o trabalho institucional, auxiliando na análise de processos e na transcrição de conteúdos, o que permite maior foco no atendimento à sociedade.
Consequências legais e papel do cidadão
O debate também reforçou que a disseminação de desinformação no contexto eleitoral pode gerar consequências legais. O descumprimento das regras pode resultar em penalidades como multas, cassação de candidaturas e inelegibilidade.
Diante desse cenário, os especialistas destacam que a atitude do cidadão continua sendo um dos principais filtros contra a propagação de conteúdos enganosos. A recomendação é redobrar a atenção diante de mensagens sensacionalistas ou que incentivem o compartilhamento imediato sem verificação.
Encerrando a primeira temporada de 2026 do projeto “Diálogos com a Sociedade”, a iniciativa reforça a importância do debate público sobre temas atuais e o papel da informação qualificada na preservação do processo democrático. As entrevistas seguem disponíveis no canal oficial do Ministério Público, ampliando o acesso da população ao conteúdo discutido.
Fonte: cenariomt





