O Ministério da Agricultura e Pecuária deu um passo importante na modernização do controle sanitário vegetal no país ao instituir o Sistema Nacional de Certificação Fitossanitária de Origem (Sinfito). A medida, oficializada por meio da Portaria nº 1.578, publicada no Diário Oficial da União nesta semana, promete tornar mais simples, eficiente e confiável o processo de certificação e transporte de produtos vegetais no Brasil.
A criação do Sinfito consolida e atualiza normas que já existiam, ao mesmo tempo em que introduz mudanças estruturais voltadas à desburocratização e à digitalização dos processos. A proposta é clara: garantir maior segurança fitossanitária sem impor entraves desnecessários ao setor produtivo, que depende de agilidade para manter a competitividade, especialmente em um cenário de crescente demanda por rastreabilidade e qualidade.
Um dos principais avanços está na simplificação das regras para o trânsito de vegetais entre estados. A partir de agora, o sistema passa a considerar prioritariamente a origem do produto, deixando de exigir comparações entre as unidades federativas de origem e destino. Na prática, isso reduz etapas, elimina redundâncias e acelera o fluxo logístico, um ponto sensível para produtores e distribuidores.
Outro eixo central do Sinfito é o incentivo à informatização. O novo modelo estimula o uso de plataformas digitais para registro, certificação e acompanhamento do trânsito de vegetais, ampliando a rastreabilidade e permitindo maior controle por parte dos órgãos fiscalizadores. Essa mudança também atende a uma demanda crescente do mercado, que exige transparência e confiabilidade em toda a cadeia produtiva.
A estrutura do sistema foi organizada de forma a abranger todas as etapas do processo, desde o cadastro das propriedades rurais até a certificação e o transporte dos produtos. Com isso, o governo busca padronizar procedimentos e reduzir inconsistências que, até então, poderiam gerar insegurança jurídica ou dificuldades operacionais.
A construção do Sinfito não ocorreu de forma isolada. O texto da portaria é resultado de um processo de diálogo que se estendeu por anos, envolvendo estados e representantes do setor produtivo. Essa articulação foi fundamental para alinhar interesses e garantir que as novas regras fossem aplicáveis à realidade do campo, sem comprometer a eficiência da fiscalização.
Além de facilitar a rotina dos produtores e técnicos responsáveis, o sistema também reforça os mecanismos de controle sanitário, um aspecto estratégico para o Brasil. Como um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo, o país precisa manter padrões rigorosos para preservar mercados internacionais e evitar barreiras comerciais relacionadas a questões fitossanitárias.
Nesse contexto, o Sinfito surge como uma ferramenta que equilibra dois objetivos muitas vezes conflitantes: simplificar processos e, ao mesmo tempo, ampliar o rigor no controle. Ao apostar em tecnologia, rastreabilidade e integração de informações, o modelo tende a reduzir falhas e aumentar a confiança em toda a cadeia.
A expectativa é que, com a implementação gradual do sistema, produtores, empresas e órgãos de fiscalização passem a operar em um ambiente mais organizado e previsível. Para o setor agropecuário, que já convive com desafios logísticos, climáticos e de mercado, qualquer avanço em eficiência regulatória representa um ganho significativo.
Ao apostar em modernização e diálogo com o setor, o Ministério da Agricultura sinaliza que a competitividade do agro brasileiro passa, cada vez mais, pela capacidade de integrar tecnologia, segurança e simplificação. O Sinfito é mais um capítulo desse movimento — e um indicativo de que o país busca não apenas produzir mais, mas produzir melhor e com maior confiabilidade.
Fonte: cenariomt





