A palestra “Quebrando o Silêncio”, realizada em Lucas do Rio Verde, reforçou a importância de ampliar o debate sobre a violência doméstica, especialmente em ambientes onde o problema muitas vezes permanece oculto. A iniciativa, articulada pela vereadora Débora Carneiro, reuniu autoridades, lideranças religiosas e comunidade para discutir estratégias de enfrentamento e prevenção.
Segundo a parlamentar, que atua na Procuradoria da Mulher da Câmara, o combate à violência precisa alcançar todos os espaços da sociedade. “Nós não podemos deixar pontas soltas. Não falar sobre isso em determinados ambientes também é uma forma de negligência. Precisamos tratar o tema em todos os lugares, inclusive onde, muitas vezes, ele fica escondido”, destacou.
Débora enfatizou ainda a necessidade de preparar lideranças para lidar com situações de violência. “Nosso objetivo é dar instrumentos para que essas pessoas possam agir de forma mais efetiva lá na ponta. Não é uma palestra apenas para um grupo específico, é aberta para toda a comunidade”, afirmou.
O juiz Maurício Alexandre Ribeiro, que já atuou na área criminal e de violência doméstica, ressaltou que o problema é estrutural e exige trabalho contínuo. “É uma questão enraizada na sociedade. Por isso, eventos como esse precisam acontecer cada vez mais, inclusive dentro das escolas, para ampliar a conscientização”, pontuou.
A pastora Alice Barbosa também destacou a relevância do tema dentro das comunidades religiosas, onde muitas vítimas enfrentam medo para denunciar. “Muitas vezes, a orientação existe, mas o medo impede a pessoa de se posicionar. A mensagem é clara: não tenha medo, fale, busque ajuda”, afirmou.
A palestrante do evento, a juíza Rosângela Zacarkim, chamou atenção para a necessidade de maior informação e preparo das lideranças religiosas. “Há uma expectativa de que os lares cristãos sejam espaços de paz, mas a realidade mostra que a violência também está presente. Precisamos enfrentar isso com seriedade”, disse.


Ela destacou que, em muitos casos, o primeiro apoio procurado pelas vítimas não é o sistema de justiça, mas sim líderes religiosos. “Essas lideranças precisam estar preparadas para acolher, orientar e encaminhar corretamente. Ignorar ou minimizar a situação pode perpetuar o ciclo de violência”, alertou.
A magistrada também reforçou que a violência tende a se agravar quando não interrompida. “Ela é um ciclo crescente, que pode evoluir de agressões psicológicas até casos extremos, como o feminicídio”, afirmou.
Além da palestra, a Câmara Municipal segue promovendo ações sobre o tema, incluindo audiências públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. A proposta, segundo os organizadores, é ampliar o diálogo e fortalecer a rede de apoio, com o entendimento de que a informação é uma das principais ferramentas para prevenir e combater esse tipo de crime.
Fonte: cenariomt





