A confeiteira e professora Karla Alayara, de Rondonópolis (MT), desenvolveu a chamada “Cobertura 40 Graus”, uma técnica que promete manter bolos estáveis, saborosos e estruturados mesmo fora da geladeira por longos períodos.
A ideia nasceu da vivência prática no calor intenso do estado. “A cobertura 40 graus não surgiu de um único momento, mas de uma necessidade real construída ao longo do tempo”, explica. Há quase oito anos trabalhando com confeitaria, ela relata que sempre precisou lidar com coberturas que não se sustentavam e com bolos que derretiam, além dos desafios no transporte em longas distâncias.
O desenvolvimento da cobertura começou de forma mais estruturada em agosto de 2025 e exigiu dedicação intensa. Foram mais de 30 dias de testes, perdas e ajustes até chegar ao resultado esperado. “Foi um processo de tentativa e erro, entendendo o comportamento das coberturas no calor e adaptando tudo para a nossa realidade”, conta.
O nome da técnica não é por acaso. “O nome ‘Cobertura 40 Graus’ vem justamente da nossa realidade climática, onde temperaturas nessa faixa são comuns durante boa parte do ano”, afirma. Segundo ela, a proposta é permitir que confeiteiras trabalhem com mais segurança, mesmo em temperaturas elevadas, reduzindo a dependência de ar-condicionado e o risco durante o transporte.
Para testar a eficiência da cobertura, Karla decidiu colocá-la à prova em situações reais. Um dos testes mais marcantes foi uma viagem de mais de 30 horas entre Mato Grosso e o Rio de Janeiro, enfrentando ônibus, avião, calor e diversos imprevistos.
“O objetivo nunca foi apenas levar um bolo para consumo, mas observar como ele se comportaria diante dessas situações”, explica. Durante o trajeto, o bolo ficou por horas fora da refrigeração, passou por ambientes quentes, enfrentou atrasos e até um voo cancelado. Ainda assim, o resultado surpreendeu. “O bolo chegou ao destino mantendo sua estrutura dentro do esperado”, relata.
Outro teste que ganhou repercussão nas redes sociais mostrou o bolo sendo exposto ao sol, transportado e até girado por estudantes do Instituto Federal de Mato Grosso. As imagens chamaram atenção justamente por mostrar o comportamento do produto fora de um ambiente controlado. “Esse tipo de conteúdo chama atenção justamente por mostrar a confeitaria em situações reais, com calor, transporte e imprevistos”, diz.
Para Karla, a cobertura vai além de uma receita. “Costumo dizer que é mais do que uma receita, é uma solução construída a partir da vivência, da prática e da necessidade de adaptar a confeitaria à realidade do calor”, afirma.
A confeitaria, inclusive, surgiu em sua vida como parte do tratamento contra depressão e ansiedade e acabou se tornando profissão. Hoje, ela é referência em confeitaria criativa, já participou de programas de televisão e acumula milhões de visualizações nas redes sociais. “Para mim, a confeitaria é mais do que técnica: é expressão, é solução e é adaptação”, resume.
Fonte: primeirapagina





