A investigação aberta pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil expôs um cenário de graves violações dentro da Delegacia de Sorriso, no Mato Grosso. O procedimento apura o vazamento de mensagens atribuídas a policiais da unidade, com diálogos que descrevem estupro de detentas, práticas de tortura, forjamento de confrontos armados e monitoramento ilegal de investigados.
O caso ganhou contornos ainda mais graves após a prisão do investigador Manoel Batista da Silva, ocorrida em 1º de fevereiro, suspeito de ter estuprado uma detenta dentro da própria delegacia em dezembro de 2025. A apuração interna busca identificar responsabilidades individuais e eventuais falhas institucionais que permitiram a repetição de condutas criminosas.
Mensagens indicam práticas ilegais
De acordo com informações reunidas na apuração, os diálogos vazados teriam sido extraídos de um celular funcional utilizado por policiais da unidade. As conversas ocorreriam em um grupo identificado como “DHPP/Assuntos Oficiais”, referência à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, o que reforça a gravidade do conteúdo compartilhado.
Em um dos trechos, ao comentar a situação de uma mulher presa, um participante banaliza a violência sexual e faz comentários ofensivos, acompanhados de risadas. O teor das mensagens sugere uma cultura de desprezo às garantias legais de pessoas sob custódia do Estado, além de normalizar práticas criminosas no exercício da função policial.
Outro diálogo chama atenção ao indicar que uma mesma arma seria utilizada repetidamente em supostos confrontos, o que aponta para a possibilidade de forjamento de ocorrências. Segundo o conteúdo, nesses episódios o desfecho seria sempre a morte do suspeito, o que levanta suspeitas sobre execuções simuladas como resistência armada.
Denúncias e reação institucional
As conversas vazadas motivaram um grupo de advogados de Sorriso a formalizar uma denúncia em dezembro, solicitando a apuração dos fatos. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso e o Tribunal de Defesa das Prerrogativas encaminharam ofício à Corregedoria-Geral pedindo providências e medidas para resguardar direitos fundamentais.
O Ministério Público de Mato Grosso informou que não havia recebido denúncia formal específica sobre o caso até então, apesar de ter sido incluído no encaminhamento feito pelos advogados. Ainda assim, a instituição acompanha os desdobramentos e pode atuar a partir dos elementos colhidos na investigação administrativa.
Uma análise técnica dos registros indicou que as imagens das mensagens não apresentavam sinais de adulteração, reforçando a necessidade de aprofundamento das apurações. A Corregedoria trabalha para identificar todos os envolvidos, verificar a autenticidade do material e avaliar a extensão das irregularidades apontadas.
O procedimento segue em andamento e pode resultar em sanções administrativas, além do encaminhamento de provas para responsabilização criminal. A expectativa é que os próximos passos incluam oitivas, perícias complementares e a adoção de medidas para evitar novas violações na unidade, conforme informado pela própria Polícia Civil.
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Fonte: cenariomt






