O juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, determinou que a Controladoria-Geral do Município de Cuiabá realize auditoria nas emendas parlamentares destinadas ao Instituto Brasil Central (Ibrace) pela Câmara de Vereadores e na organização de corridas de rua executadas pelas empresas Sem Limite Esporte e Eventos Ltda e Chiroli Uniformes, de propriedade do empresário João Nery Chiroli, um dos alvos da Operação Gorjeta que investiga esquema de desvio na Casa de Leis cuiabana.
A medida atende pedido de aplicação de cautelar inominada e foi fundamentada na existência de indícios consistentes de vínculo entre os repasses públicos ao Ibrace e a execução dos eventos esportivos pelas empresas investigadas. Conforme a decisão, entre 2022 e 2025 foram destinadas ao instituto pelo menos 12 emendas parlamentares impositivas, que resultaram na formalização de Termos de Fomento com o Município de Cuiabá, em sua maioria por meio da Secretaria Municipal de Esportes, para a realização de corridas de rua.
Dados reunidos pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) indicam que o (]*rel=”)noopener(“[^>]*>)Ibrace recebeu mais de R$ 5,4 milhões do município nesse período, sendo que R$ 3,65 milhões (66%) teriam origem em emendas indicadas pelo vereador Chico 2000. Parte desses valores se refere a eventos como a 36ª Corrida do Senhor Bom Jesus de Cuiabá e a 6ª Corrida do Legislativo Cuiabano.
Relatório de extração de dados de celular aponta conversas entre o parlamentar e João Nery Chiroli tratando da realização dos eventos e da tramitação dos Termos de Fomento, sugerindo que a empresa responsável pela organização das corridas teria sido definida antes mesmo da formalização dos ajustes. Após os repasses, o Ibrace transferiu valores expressivos à empresa Sem Limite/Chiroli Esportes, que, segundo a investigação, executava de fato os eventos.
Na decisão, o magistrado afirma que os elementos indicam que o instituto pode ter sido cooptado ou estruturado para viabilizar o desvio de verbas públicas, com possível confusão entre a atuação do Ibrace e de empresas privadas. Diante disso, foi determinada auditoria no prazo de 120 dias em todos os Termos de Fomento firmados entre o Ibrace e o Município desde 2022, abrangendo formação, execução e prestação de contas.
O juiz fixou prazo mais curto de 30 dias para a conclusão da auditoria referente aos Termos de Fomento nº 01/2025-SMESP e nº 03/2025-SMESP. A medida foi fundamentada no poder geral de cautela e na necessidade de eventual reparação ao erário.
Operação Gorjeta
O empresário João Nery Chiroli, proprietário da Chiroli Uniformes, está entre os alvos da Operação Gorjeta, deflagrada na manhã desta terça-feira (27) pela Polícia Civil. A investigação também envolve o vereador Chico 2000 (sem partido), apontado como principal investigado, além dos servidores comissionados Joacir Conceição Silva, Alex Jones Silva e Magali Gauna Felismino Chiroli, ligada à empresa citada na apuração.
Segundo as investigações, o esquema teria utilizado a confecção de uniformes para a Corrida do Legislativo, evento promovido pela Câmara de Cuiabá que recebe recursos públicos, como uma das formas de operacionalizar o suposto desvio, por meio da empresa Chiroli Uniformes.
O Ibrace recebeu mais de R$ 5,4 milhões do município de Cuiabá entre 22 de novembro de 2022 e 9 de abril de 2025. Desse total, R$ 3,65 milhões, o equivalente a 66% dos recursos, teriam sido destinados por meio de emendas parlamentares impositivas do vereador Chico 2000, conforme relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).
Fonte: leiagora






