Mundo

Impacto da Restrição de Celulares na Rotina Escolar no Brasil: Estudo Avaliará Mudanças com Menos Telas e Maior Atenção

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word3

Menos distração, mais interação, alunos mais atentos e um ambiente escolar redescobrindo o diálogo, o papel, o lápis e o convívio. É esse novo cenário, percebido em salas de aula de diferentes regiões do país, que será analisado por uma pesquisa nacional prevista para o primeiro semestre de 2026, voltada a entender os efeitos reais da restrição do uso do celular no ambiente escolar, após um ano de vigência da Lei nº 15.100/2025.

A investigação surge em meio a relatos cada vez mais consistentes de professores, gestores e estudantes sobre mudanças significativas na dinâmica das aulas. Desde janeiro de 2025, a norma passou a limitar o uso de aparelhos eletrônicos portáteis nas escolas de educação básica, permitindo o acesso apenas em situações pedagógicas, de acessibilidade, saúde ou garantia de direitos. O que antes parecia uma medida rígida, hoje começa a ser associada a ganhos concretos no processo de aprendizagem.

Estudos e dados já indicavam a urgência do tema. O Brasil figura entre os países que mais passam tempo diante das telas, com média superior a nove horas diárias. No ambiente escolar, o reflexo disso era sentido de forma direta: segundo o Pisa 2022, oito em cada dez estudantes brasileiros afirmaram se distrair nas aulas por causa do celular, especialmente em disciplinas que exigem maior concentração, como matemática.

Na prática, escolas que passaram a aplicar a restrição relatam transformações visíveis. Professores observam alunos mais participativos, maior troca durante as aulas e redução da ansiedade associada ao uso contínuo do aparelho. O hábito de apenas fotografar o quadro deu lugar à escrita, ao registro manual e à escuta ativa. Nos intervalos, o silêncio das telas foi substituído por conversas, jogos, leitura, atividades físicas e convivência.

“O início foi desafiador, com resistência e até crises de ansiedade em alguns casos, mas a adaptação aconteceu com o tempo e apoio das famílias”, relata Breno Marques, diretor de uma escola de ensino médio em tempo integral. Segundo ele, os resultados pedagógicos vieram rapidamente. “Tivemos o menor número de alunos em recuperação dos últimos anos. A atenção em sala aumentou de forma clara”, afirma.

A experiência também revelou um ponto importante: o celular não foi banido da escola, mas ressignificado. Sempre que necessário para fins educacionais, o uso foi autorizado de forma organizada, sem prejuízo ao aprendizado. A proposta não é negar a tecnologia, mas colocá-la a serviço da educação, e não como fonte permanente de distração.

Essa percepção aparece também na escuta dos próprios estudantes. Em consultas participativas realizadas com adolescentes, muitos relataram dificuldade em manter o foco ao estudar com o celular por perto, citando vídeos, notificações e redes sociais como fatores que desviam a atenção. A restrição, para parte deles, acabou funcionando como um alívio.

A pesquisa nacional prevista para 2026 deverá mapear essas experiências em diferentes redes de ensino, identificando desafios, boas práticas e efeitos no desempenho escolar, na saúde mental e no clima das escolas. O objetivo é compreender como a mudança de comportamento em sala de aula pode contribuir para uma aprendizagem mais profunda, relações mais humanas e um uso mais consciente da tecnologia.

Mais do que avaliar uma lei, o estudo busca responder a uma pergunta que atravessa pais, educadores e estudantes: o que acontece quando a escola volta a ser, antes de tudo, um espaço de presença, atenção e troca real?

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.