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Custo da cesta básica em Cuiabá é um dos mais altos do Brasil no final de dezembro

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Cuiabá encerrou dezembro de 2025 entre as capitais brasileiras onde o custo da cesta básica mais pesou no bolso da população. Dados consolidados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que o conjunto de alimentos essenciais chegou a R$ 791,29 na capital mato-grossense, colocando a cidade na quarta posição do ranking nacional.

Na comparação com novembro, o valor teve alta de 0,17%, um avanço considerado moderado, mas suficiente para manter a pressão sobre o orçamento das famílias. Com esse patamar de preços, a cesta básica consumiu aproximadamente 56,35% do salário mínimo vigente, evidenciando o impacto direto da inflação dos alimentos sobre o poder de compra do trabalhador.

O levantamento aponta que, em dezembro, houve aumento do custo da cesta em 17 capitais brasileiras, enquanto nove registraram queda e apenas João Pessoa (PB) apresentou estabilidade, com valor médio de R$ 597,66. O comportamento reforça um cenário desigual entre as regiões, influenciado tanto pela composição da cesta quanto pelas dinâmicas locais de oferta e demanda.

Mesmo com reduções pontuais em alguns itens, o custo elevado em Cuiabá revela que a inflação dos alimentos segue como um desafio relevante para a população e para o equilíbrio econômico regional. Esse movimento ocorre em meio a um contexto mais amplo da economia e do abastecimento no contexto do agronegócio mato-grossense, que influencia preços, logística e consumo.

Entre as capitais com maiores elevações mensais entre novembro e dezembro de 2025 estiveram Maceió (3,19%), Belo Horizonte (1,58%), Salvador (1,55%) e Brasília (1,54%). Já as maiores quedas foram observadas em Porto Velho (-3,60%), Boa Vista (-2,55%) e Rio Branco (-1,54%). São Paulo manteve a liderança como a cesta mais cara do país, alcançando R$ 845,95, seguida por Florianópolis, Rio de Janeiro, Cuiabá e Porto Alegre.

Nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta apresenta diferenças, os menores valores médios foram registrados em Aracaju, Maceió, Porto Velho, Recife, Natal e João Pessoa, com preços abaixo de R$ 600. Essa disparidade regional reforça as diferenças de renda e de acesso aos alimentos básicos no país.

Alguns produtos contribuíram para aliviar parcialmente o custo da cesta em diversas capitais. O arroz agulhinha apresentou queda de preço em 23 das 27 cidades pesquisadas, reflexo da menor demanda externa e da redução nas exportações. Em Cuiabá, contudo, o valor permaneceu estável. O leite integral também registrou recuo em grande parte do país, impulsionado pela maior oferta interna, resultado da produção nacional e das importações.

Outros itens, como açúcar, café em pó e óleo de soja, também apresentaram redução em várias capitais, influenciados por fatores como maior oferta no mercado interno, cenário internacional e comportamento das exportações. Ainda assim, essas quedas não foram suficientes para reverter o peso da cesta básica sobre a renda das famílias em estados como Mato Grosso.

O estudo também traz um alerta social importante. Em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas deveria ter alcançado R$ 7.106,83, o equivalente a 4,68 vezes o piso nacional de R$ 1.518,00. Esse valor ficou acima do registrado em novembro e próximo ao patamar observado no ano anterior, evidenciando a defasagem entre renda e custo de vida.

Outro indicador relevante é o tempo de trabalho exigido para a compra da cesta básica. Nas 27 capitais pesquisadas, foram necessárias, em média, 98 horas e 41 minutos de jornada em dezembro, ligeiramente acima do mês anterior. Mesmo com alguma melhora em relação a 2024, o dado reforça o comprometimento significativo da renda do trabalhador com a alimentação.

A ampliação da pesquisa para todas as capitais brasileiras, fruto da parceria entre Conab e Dieese, fortalece o monitoramento do custo dos alimentos e subsidia políticas públicas voltadas à segurança alimentar e ao abastecimento. Os primeiros resultados com abrangência nacional passaram a ser divulgados a partir de agosto de 2025, oferecendo um retrato mais completo da realidade do país.

 

Fonte: cenariomt

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