“Mauro está iludido se acha que esse eleitorado vai votar nele. Eles querem um candidato ao Senado que seja extremamente da direita, reacionário. E ele não vai ser esse candidato”, disse Barranco ao comentar a nota divulgada pelo governador nesta segunda-feira (4), em que criticou a decisão do STF que determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.
A manifestação veio um dia apĂłs os atos em apoio ao ex-presidente, realizados em várias capitais, mas sem a presença de Mauro. Para Barranco, a ausĂŞncia nos eventos e a nota posterior revelam “relação dĂşbia” com os bolsonaristas. “Ele ficou esperando pra ver no que ia dar. Agora tenta recuperar o diálogo. SĂł que nesse ambiente polĂtico que vivemos, nĂŁo tem espaço pra quem fica em cima do muro. Ou vocĂŞ está de um lado ou está do outro.”
Dias depois, Mauro se reuniu com governadores de centro-direita e direita, em BrasĂlia, quando criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cobrou atuação firme do presidente Lula contra o aumento das tarifas americanas.
AlĂ©m da crĂtica ao posicionamento do governador, Barranco aponta um cenário de forte disputa no campo da direita. Entre os prĂ©-candidatos ao Senado identificados com o bolsonarismo, estĂŁo o deputado federal JosĂ© Medeiros (PL), que desde 2014 construiu uma trajetĂłria de oposição sistemática ao PT, e o ex-presidente da Aprosoja, Antonio Galvan (DC), investigado por suposto financiamento de atos antidemocráticos em favor de Jair Bolsonaro.
Também nesse campo, a deputada estadual Janaina Riva (MDB) tem buscado aproximação com o eleitorado conservador desde o segundo turno de 2018. De lá pra cá, tem se firmado em pautas ligadas ao agronegócio e valores da direita tradicional, com o objetivo de ampliar sua base rumo às eleições de 2026.
Barranco avalia que, diante desse cenário de competição acirrada, Mauro Mendes corre o risco de ser engolido por rivais mais alinhados ideologicamente Ă extrema-direita. “Se ele quiser ficar acenando para a extrema-direita, nĂŁo vai ter juĂzo de valor nem no centro. Vai ser prejudicado porque nem o centro vai abraçar ele, nem a extrema-direita.”
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Fonte: Olhar Direto





