O decidiu, por unanimidade, na terça-feira 21, afastar a desembargadora MarĂlia de Castro Neves Vieira, do Rio de Janeiro. A decisĂŁo ocorreu depois de ela alegar que a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, tinha ligações com o Comando Vermelho — uma das maiores facções criminosas do Brasil. A magistrada enfrenta um processo administrativo disciplinar.
A medida, conhecida como disponibilidade, conforme a Lei Orgânica da Magistratura (Loman), consiste em um afastamento com remuneração. A decisĂŁo sobre o perĂodo de afastamento gerou divergĂŞncias.
A maioria do CNJ optou por 90 dias. Em contrapartida, o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), LuĂs Roberto Barroso, defendeu um afastamento de 180 dias e criticou severamente a desembargadora.
“Consideraria chocantes vindas de qualquer pessoa”, disse Barroso. “Calúnia, transfobia, capacitismo e desrespeito aos mortos. Noventa dias é quase um prêmio para um comportamento espantoso para uma membra do Poder Judiciário.”
Enquanto estiver afastada, MarĂlia Vieira receberá uma remuneração proporcional, equivalente ao que receberia se aposentasse hoje. Apesar de seu salário atual nĂŁo estar listado no site do TJ, o subsĂdio de um desembargador Ă© de R$ 39,7 mil — valor que supera em mais de 28 vezes o salário mĂnimo nacional.
Marielle Franco foi morta a tiros em 18 de março de 2018, junto de seu motorista, Anderson Gomes. No inĂcio de maio, a Procuradoria-Geral da RepĂşblica acusou os irmĂŁos Chiquinho e Domingos BrazĂŁo, alĂ©m do delegado Rivaldo Barbosa, de serem os mandantes do assassinato, motivado pela disputa de territĂłrios controlados por milĂcias.
Fonte: revistaoeste




