Boava admitiu proximidade pessoal com o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), adversário de Fagundes, e desconversou ao ser questionado sobre seu posicionamento na disputa pelo Palácio Paiaguás. “Sou amigo pessoal do Pivetta, respeito a candidatura de Wellington, mas essa é uma decisão que os mato-grossenses vão tomar. O voto é secreto”, afirmou.
A declaração evidencia racha interno no PL em Mato Grosso, que vive um impasse entre priorizar a disputa ao Governo do Estado encabeçada por Fagundes – e fortalecer a chapa com uma eventual aliança com a deputada estadual e pré-candidata ao Senado Janaína Riva (MDB) – ou concentrar forças em eleger senador o deputado federal José Medeiros (PL), considerado “bolsonarista raiz” e nome que faria, se eleito, enfrentamentos a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A divisão interna no PL está estruturada entre grupo mais ligado à direita “radical”, que rechaça o MDB e entende que uma composição com Janaina atrapalharia a eleição de Medeiros e, do outro lado, apoiadores mais próximos do senador Wellington Fagundes, que acreditam que uma composição com Riva e José Medeiros juntos ao Senado ajudaria no projeto do PL ao governo.
Parte dessa resistência da ala tida como mais radical ao senador está ligada ao histórico político de Fagundes. O senador foi próximo de gestões petistas no passado e coordenou, em Mato Grosso, a campanha de reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff em 2014, o que ainda hoje provoca desconfiança entre os aliados mais ideológicos do partido.
Boava revelou que há dificuldades para ter acesso a Bolsonaro diante da prisão domiciliar, o que afeta diretamente as articulações do partido. “Hoje nós não temos mais acesso a ele. Isso dificulta entender exatamente qual é o sentimento dele sobre as composições”, disse.
Com isso, a influência do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, cresce cada vez mais. Segundo Thiago Boava, ele tem conduzido parte das definições partidárias, e a leitura do pré-candidato é que a sustentação do nome de WF ao governo passa por decisões da cúpula do partido, enquanto Bolsonaro prioriza o Senado.
Fonte: Olhar Direto





