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Vídeo revoluciona preservação da memória indígena em risco: saiba mais!

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2026

Criado em 1986 pelo indigenista e cineasta Vincent Carelli, o Vídeo nas Aldeias transformou a relação de povos indígenas com a produção audiovisual ao incentivar a formação de cineastas indígenas e utilizar a câmera como ferramenta de memória, valorização cultural e resistência.

Ao longo de quase 40 anos, a iniciativa contribuiu para a formação de diferentes gerações de realizadores indígenas e reuniu um acervo composto por mais de 70 filmes produzidos em parceria com mais de 40 povos indígenas, além de mais de 4 mil horas de gravações analógicas e um volume semelhante de material digital.

Apesar da relevância histórica e cultural desse patrimônio, Vincent Carelli alerta que o acervo enfrenta riscos por falta de uma política adequada de preservação. Segundo ele, ainda não existe uma instituição preparada para manter, organizar e oferecer acesso a esse material, especialmente devido aos altos custos envolvidos na conservação de arquivos digitais.

Durante participação no festival Bonito CineSur, realizado em Bonito (MS), Carelli questionou qual museu ou instituição pública teria condições de assumir essa responsabilidade, destacando que muitas delas enfrentam limitações financeiras e estruturais.

A professora de audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Daniela Siqueira, afirmou que a situação evidencia a necessidade de ampliar as políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio audiovisual brasileiro. Segundo ela, os investimentos destinados à produção de filmes precisam ser acompanhados por recursos suficientes para garantir sua conservação ao longo do tempo.

De acordo com Daniela, o crescimento da produção digital tornou esse desafio ainda maior. Além dos custos com servidores, armazenamento em nuvem e equipamentos, existe o problema da obsolescência tecnológica, já que os sistemas utilizados para guardar arquivos digitais exigem substituições e atualizações periódicas.

Para a pesquisadora, deixar de investir na preservação significa comprometer o patrimônio cultural e desperdiçar recursos públicos aplicados na produção audiovisual.

Importância histórica

Além de registrar o cotidiano das comunidades indígenas, o Vídeo nas Aldeias fortaleceu a identidade cultural de diversos povos e ampliou a visibilidade de suas demandas sociais e políticas. Carelli define os filmes produzidos pelo projeto como verdadeiras “carteiras de identidade” das comunidades.

O cineasta explica que a circulação dessas produções entre diferentes etnias permitiu que povos antes isolados conhecessem suas culturas e tradições, fortalecendo o intercâmbio entre comunidades indígenas.

O projeto também promoveu mudanças internas nas aldeias. Segundo Carelli, o uso das câmeras aproximou jovens e anciãos, incentivando o registro do cotidiano e a valorização dos conhecimentos transmitidos pelas gerações mais velhas.

Para Daniela Siqueira, o projeto representa um marco na história do audiovisual brasileiro por estimular novas formas de produção de imagens e ampliar o debate sobre a presença e a luta dos povos indígenas na sociedade.

Atualmente, Carelli observa que esse protagonismo também ocorre por meio das redes sociais. Segundo ele, uma nova geração de comunicadores indígenas utiliza fotografias, vídeos e textos para ampliar a visibilidade de suas comunidades e de suas pautas.

Fonte: cenariomt

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