Turismo

Turistas poderão pagar taxa para avistar onças-pintadas no Pantanal? Estudo analisa viabilidade da proposta

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2026

Turistas que visitam o Pantanal de Mato Grosso para observar onças-pintadas estariam dispostos a pagar uma taxa para ajudar na conservação ambiental? Essa é uma das questões investigadas por uma pesquisa iniciada em outubro, que também pretende descobrir quanto dinheiro o turismo de observação movimenta e quem se beneficia economicamente da presença do maior felino das Américas.

O estudo faz parte do projeto Transformando a onça-pintada em um ativo para o Pantanal, desenvolvido pela Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS), em parceria com a WWF-Brasil. A iniciativa busca dimensionar os impactos econômicos e sociais da atividade, que já movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, transportadoras e serviços de guias turísticos.

A pesquisa abrange um trecho de 145 quilômetros, desde a Transpantaneira até o Parque Estadual Encontro das Águas, região conhecida pela concentração de onças-pintadas e considerada um dos principais destinos brasileiros para a observação desses animais na natureza.

Vídeo mostra onça descansando em galho de árvore. – Vídeo: Adriel Abreu

Possível taxa de conservação está entre os temas investigados

Um dos pontos analisados é a disposição dos visitantes em contribuir financeiramente com uma eventual taxa destinada à conservação ambiental.

O levantamento pretende identificar se os turistas aceitariam esse tipo de contribuição, além de reunir informações que possam orientar futuras estratégias de preservação e desenvolvimento sustentável.

A pesquisa não significa que uma nova taxa será criada. Até o momento, o projeto prevê apenas a avaliação da percepção dos visitantes sobre essa possibilidade, sem anúncio de cobrança ou definição de valores.

Quanto vale uma onça-pintada viva para o Pantanal?

Outra questão central é compreender o valor econômico da onça-pintada viva para a região. A presença do animal atrai visitantes interessados em fotografá-lo e observá-lo em seu habitat natural, gerando oportunidades de trabalho e renda para diferentes setores.

Apesar da importância turística da espécie, os pesquisadores apontam que ainda faltam informações sobre o volume de recursos movimentados e, principalmente, sobre como esse dinheiro é distribuído entre empresários, trabalhadores e moradores das comunidades pantaneiras.

Segundo a vice-presidente da Associação TOVS, Suzi Camargo, a intenção é compreender como a conservação da espécie pode gerar benefícios concretos para a população local.

“Queremos entender como o valor da onça viva pode se traduzir em conservação e benefícios para quem vive no território, quais são benefícios e como eles se distribuem”, explicou.

Os resultados poderão ajudar a identificar oportunidades de investimento, necessidades de infraestrutura e medidas para fortalecer a atividade sem comprometer a preservação ambiental.

Pesquisa percorre a Transpantaneira e Porto Jofre

Iniciado em outubro de 2026, o projeto terá uma etapa de levantamento presencial entre os dias 18 e 22 deste mês, em Porto Jofre e ao longo da Transpantaneira.

A equipe ouvirá moradores, gestores públicos, guias, condutores, empresários e profissionais ligados ao turismo de observação da vida silvestre.

Também serão consultados turistas, operadores turísticos, representantes de meios de hospedagem e proprietários rurais.

A participação do público ocorre ainda por meio de uma pesquisa on-line, aberta em 13 de outubro e disponível até 9 de novembro. A previsão é que os resultados finais sejam apresentados em março de 2027.

Estudo pode orientar investimentos no turismo

Para o secretário adjunto de Turismo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Luis Carlos Nigro, a participação dos profissionais do setor é fundamental para que os resultados representem a realidade da atividade turística. “Quanto mais informações forem reunidas, melhor poderemos compreender as demandas, identificar oportunidades e planejar ações que fortaleçam o turismo na região”, afirmou.

Além de dimensionar o potencial econômico da observação de onças-pintadas, o estudo pretende apontar desafios enfrentados pelos trabalhadores e pelas comunidades que vivem nas áreas visitadas.

A expectativa é que as informações auxiliem tanto o poder público quanto a iniciativa privada na organização do turismo e na definição de ações voltadas à conservação da biodiversidade.

Fonte: primeirapagina

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