Aos 3 anos, Yuri Dias Rosa trava uma batalha contra uma das doenças mais raras e devastadoras conhecidas pela medicina, a Distrofia Neuroaxonal Infantil (INAD). A sĂndrome, de origem genĂ©tica, causa degeneração progressiva do sistema nervoso e atinge apenas 34 crianças em todo o Brasil. Em Mato Grosso, Yuri Ă© o Ăşnico caso registrado.
Â
O diagnóstico veio em maio de 2024, após uma longa jornada de exames e incertezas. Por meio de um teste genético chamado Exoma, os pais descobriram que o filho tem a mutação responsável pela doença, uma condição hereditária que se manifesta apenas quando pai e mãe possuem alterações no mesmo gene.
Â
“Nosso mundo desabou”, desabafa a mãe, Daniele de Almeida Dias, 43, que desde então se dedica integralmente aos cuidados do menino. “Sou ilustradora de livros, mas precisei parar de trabalhar. O Yuri exige atenção o tempo todo. Ele se alimenta por sonda, faz terapias todos os dias e precisa de acompanhamento constante. Não consigo deixá-lo com outra pessoa”.
Â
O pai, Kayo Rosa, 38, tambĂ©m está afastado do trabalho. A famĂlia morava em Santo AntĂ´nio do Leverger, mas se mudou para Cuiabá, no bairro Morada do Ouro, para que Yuri pudesse ter acesso Ă s terapias. “Antes, Ăamos e voltávamos todos os dias. Era cansativo demais para ele e para nĂłs. Agora moramos de aluguel aqui para facilitar o tratamento e contamos com a ajuda da nossa famĂlia para manter as despesas”.
Â
Segundo Daniele, ao ser diagnosticado, Yuri recebeu praticamente uma sentença de morte. “Soubemos que a doença tiraria tudo dele, a sua força, sua visão, audição, sua capacidade de mastigar e engolir, de sorrir e, por fim, de respirar. Soubemos também que a maioria das crianças com INAD morre entre 5 e 10 anos. Perdemos nosso chão”.
Â
Sem cura conhecida, o tratamento atual de Yuri é paliativo, voltado à manutenção das funções vitais e à qualidade de vida.
Â
“Ele faz fonoaudiologia para preservar a deglutição e evitar engasgos, fisioterapia respiratória para prevenir complicações pulmonares, e alongamentos musculares que reduzem dores e retardam a atrofia. Seu cognitivo está preservado, ele entende muita coisa, sorri o tempo todo, gosta de música, de passear e interagir com as pessoas. É uma criança muito alegre, mesmo com tudo o que enfrenta”.
Daniele de Almeida, mĂŁe de Yuri, conta que a esperança da famĂlia vem de um tratamento inovador. Enquanto mantĂ©m as
terapias em Cuiabá, a famĂlia busca viabilizar um tratamento experimental no exterior, que tem trazido esperança para famĂlias de outras crianças com INAD em diferentes paĂses. O procedimento, desenvolvido por uma ONG nos Estados Unidos,
chamada INADcure Foundation, utiliza técnicas de terapia genética e medicamentos capazes de desacelerar a progressão da
doença.
Segundo Daniele, o tratamento consiste em introduzir um gene saudável nas cĂ©lulas, capaz de corrigir a função genĂ©tica defeituosa que causa a degeneração neurolĂłgica. O estudo clĂnico, que ainda está em fase inicial, representa a Ăşnica chance de Yuri. “Quanto mais o tempo passa, mais habilidades ele perde. E quanto mais avançada a doença, menores sĂŁo as chances do tratamento funcionar. Por isso estamos correndo contra o tempo, pois cada dia Ă© uma perda”.
Ela explica que Yuri está prĂłximo da fase de testes clĂnicos. “Yuri seria inscrito como participante, mas precisa atender
critérios de elegibilidade. Ele tem grandes chances de ingressar com o tratamento se conseguirmos os recursos necessários,
pois ele tem pouca idade e tem muitas funções preservadas, sendo estes os critĂ©rios principais”.Â
Â
A previsĂŁo Ă© que Yuri precise de cerca de R$ 2 milhões para cobrir os custos do tratamento no exterior, alĂ©m das passagens, hospedagem e permanĂŞncia nos Estados Unidos durante o perĂodo em que ele será monitorado pela equipe mĂ©dica.
A famĂlia criou a campanha “Yuri pela Cura” para arrecadar doações e dar visibilidade Ă causa. AtĂ© o momento, apenas
R$ 36.748,34 foram arrecadados. Os pais de Yuri, Daniele e Kayo, dependem da ajuda das pessoas e convida todos a se
unirem nessa corrente de solidariedade. “NĂŁo temos tempo a perder. A doença Ă© rápida e vai tirando tudo dele. Queremos lutar atĂ© o fim e dar a ele a chance de viver o máximo possĂvel, com dignidade e esperança. Cada contribuição Ă© um
passo para que o pequeno Yuri tenha a chance de continuar vivendo”.
Para ajudar doando qualquer valor na vaquinha online, a contribuição pode ser via Pix usando a chave 5607372@vakinha.com.br.
O site oficial da campanha Ă© por meio do link .
Â
Mais informações com Daniele (65) 99678-3263.
Fonte: gazetadigital





