O programa MT Trifásico, lançado pelo Governo de Mato Grosso em parceria com a Energisa, prevê investimento de R$ 1,4 bilhão para ampliar a rede de energia trifásica nas áreas rurais entre 2026 e 2030. Conforme divulgado pelo Governo do Estado, a iniciativa pretende levar energia de maior capacidade a comunidades rurais, reduzindo custos operacionais, ampliando a produtividade e criando condições para novos investimentos na agricultura familiar.
Entre os produtores que aguardam os impactos da expansão está Carlos Roberto Leite da Silva, agricultor familiar que cultiva café há 22 anos na Chácara Itapejara, conhecida como Café do Produtor, localizada na região da Linha 12, em Tangará da Serra. Segundo ele, a chegada da energia trifásica representa uma mudança estrutural para pequenos produtores que enfrentam limitações técnicas e financeiras para expandir seus negócios.
Redução de custos e aumento da competitividade
Conforme apurado pela reportagem junto às informações oficiais do programa, a principal vantagem da rede trifásica é a maior eficiência energética para operar máquinas, motores e equipamentos agrícolas. Carlos Roberto afirma que a diferença nos custos de implantação pode ser significativa.
Segundo o produtor, um investimento que atualmente exige cerca de R$ 18 mil com energia monofásica poderia cair para aproximadamente R$ 5 mil caso a propriedade já contasse com infraestrutura trifásica disponível. Além da economia inicial, equipamentos compatíveis com o sistema trifásico costumam apresentar melhor desempenho e menor custo operacional em atividades produtivas.
MT Trifásico abre espaço para agroindustrialização
Para agricultores familiares, o impacto do MT Trifásico vai além do fornecimento de energia. O programa pode ampliar a capacidade de processamento dentro das propriedades, permitindo que produtores agreguem valor à matéria-prima antes da comercialização.
Na avaliação de Carlos Roberto, produtores de leite, frutas e café frequentemente enfrentam dificuldades para implantar pequenas agroindústrias devido às limitações da rede elétrica convencional. Com energia mais robusta, torna-se viável operar equipamentos utilizados na produção de queijos, polpas, torrefação e beneficiamento de alimentos.
A possibilidade de industrializar parte da produção no campo é apontada por especialistas do setor como um dos caminhos para aumentar a renda rural e fortalecer economias locais, reduzindo a dependência da venda de produtos in natura.
Investimento bilionário no interior do estado
O programa prevê a construção de aproximadamente 5 mil quilômetros de rede trifásica entre 2026 e 2030. O investimento total será dividido entre o Governo de Mato Grosso e a Energisa, com aporte de R$ 700 milhões por cada parte.
De acordo com o governo estadual, a expansão da rede trifásica rural busca:
- Ampliar o acesso à energia de qualidade no campo;
- Reduzir custos de produção para agricultores familiares;
- Estimular a instalação de pequenas agroindústrias;
- Fortalecer a economia dos municípios do interior;
- Aumentar a competitividade da produção agropecuária.
Por que a energia trifásica é importante?
A energia trifásica é amplamente utilizada em atividades produtivas por permitir maior estabilidade no fornecimento elétrico e melhor desempenho de máquinas de maior potência. Em propriedades rurais, ela é considerada essencial para sistemas de irrigação, resfriamento de leite, beneficiamento de grãos, processamento de alimentos e outras atividades que exigem equipamentos industriais.
Com a ampliação da infraestrutura prevista pelo MT Trifásico, a expectativa é que milhares de produtores familiares tenham acesso a uma rede mais eficiente, criando condições para aumentar a produção e gerar novas oportunidades de negócios no campo.
Reportagem baseada em informações divulgadas pelo Governo de Mato Grosso e pela Energisa sobre o Programa MT Trifásico.
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Fonte: cenariomt




