A manhã desta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, amanheceu cinzenta e silenciosa em Franca (SP). A cidade parou para prestar as últimas homenagens aos seis moradores que perderam a vida em um grave acidente de lancha na represa de Jaguara, em Sacramento (MG), na noite do último sábado. O clima nos velórios, que se espalham por diferentes salas da cidade, é de choque e incredulidade diante de uma fatalidade que interrompeu um momento de lazer entre amigos.
A embarcação, que transportava 15 pessoas, colidiu violentamente contra um píer no lado mineiro da represa enquanto retornava de um bar flutuante. O impacto fez a lancha tombar, prendendo as vítimas sob o casco. O laudo do IML de Araxá confirmou que a causa de todas as mortes foi afogamento. Entre os sobreviventes, nove pessoas conseguiram escapar, algumas com ferimentos leves, mas as marcas emocionais prometem ser permanentes.
Homenagens e Despedidas: O cronograma do luto
Os sepultamentos ocorrem ao longo de todo o dia em diferentes cemitérios de Franca. O caso que mais gera comoção é o de Viviane Aredes, que celebraria seu 36º aniversário no domingo (22), e de seu filho, o pequeno Bento Aredes, de apenas 4 anos. A prefeitura de Patrocínio Paulista, onde Viviane tinha laços familiares, decretou luto oficial.
| Vítima | Idade | Local do Velório / Horário | Sepultamento |
|---|---|---|---|
| Bento e Viviane Aredes | 4 e 35 anos | Memorial Nova Franca (até 10h) | 10h – Cemitério Santo Agostinho |
| Juliana Fernanda | 40 anos | Velório São Vicente (06h às 13h) | 13h – Jardim das Oliveiras |
| Erica Fernanda Lima | 41 anos | Velório Santo Agostinho (09h às 13h) | 13h – Cemitério Santo Agostinho |
| Wesley Carlos da Silva | 45 anos | Velório São Vicente (06h30 às 16h) | 16h – Cemitério Santo Agostinho |
| Marina Rodrigues Matias | 22 anos | Velório São Vicente (07h às 16h) | 16h – Jardim das Oliveiras |
Investigação: Falta de habilitação e manobra equivocada
As investigações conduzidas pela Marinha do Brasil e pela Polícia Civil de Minas Gerais ganharam contornos graves nesta manhã. Foi confirmado que o condutor da lancha, Wesley Carlos da Silva, que também faleceu no acidente, não possuía a habilitação náutica (Arrais Amador) necessária para pilotar.
Testemunhas relataram que, após o grupo perceber que havia errado o caminho, o piloto realizou uma manobra brusca à direita (boreste) em uma área próxima à margem, atingindo o píer que, segundo relatos, estava sem iluminação. Outro dado alarmante: das 15 pessoas a bordo, apenas três usavam colete salva-vidas — ironicamente, as três vítimas que estavam equipadas acabaram ficando presas sob a estrutura submersa da lancha.
Nota de Utilidade
A Marinha reforça que a condução de embarcações de esporte e lazer exige treinamento prático e aprovação em prova teórica. O uso de coletes salva-vidas deve ser rigoroso, especialmente em navegações noturnas, onde a visibilidade de obstáculos como píeres e bancos de areia é reduzida.
Fonte: cenariomt






